USP desenvolve inteligência artificial que facilita análise de mapas urbanos
Ferramenta conversa por voz para explorar desigualdades ambientais em cidades brasileiras
Uma nova inteligência artificial, criada na USP, permite que usuários interajam com mapas urbanos usando comandos de voz, facilitando a compreensão de dados sobre calor, vegetação e desigualdades na cidade.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) lançaram uma inovação que promete transformar a maneira como moradores, gestores públicos, professores e estudantes acessam informações ambientais e urbanas. A plataforma UrbVerde, vinculada ao Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) de São Carlos, agora conta com uma assistente virtual chamada Mari, que possibilita conversar por comandos de voz para consultar dados georreferenciados.
Segundo a equipe responsável, a Mari foi desenvolvida pelo pesquisador Guilherme Henrique Bueno de Freitas, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, com apoio da OpenAI, a mesma empresa que criou o ChatGPT. A ferramenta é considerada o primeiro WebSIG do Brasil — um Sistema de Informação Geográfica acessível na internet — com essa tecnologia de interação por voz. A ideia é que o usuário pergunte e receba respostas sobre seu bairro ou cidade de forma simples, sem necessidade de conhecimentos técnicos prévios em geotecnologias.
A plataforma visa ampliar o acesso às informações ambientais e ajudar na compreensão de questões como a distribuição de áreas verdes, a desigualdade na exposição ao calor urbano, o acesso a parques e praças. Segundo o coordenador do projeto, Marcel Fantin, o objetivo é que plataformas de mapas tradicionais, muitas vezes de difícil manuseio para quem não é especialista, se tornem mais acessíveis, promovendo maior autonomia na consulta e no debate sobre o ambiente urbano.
Para o criador da Mari, Guilherme Bueno, a expectativa é que essa inovação seja útil tanto para o trabalho de gestores públicos quanto para atividades de professores, estudantes e organizações comunitárias. “Uma pessoa poderá partir de uma pergunta concreta sobre seu bairro para investigar um problema e participar de maneira mais informada do debate sobre soluções,” afirmou. A equipe destaca que, por ser uma tecnologia recente, será importante monitorar seu uso e ouvir os feedbacks dos usuários para aprimorar a ferramenta.
Na prática, ao solicitar informações sobre São Carlos, por exemplo, o usuário é perguntado em qual estado fica a cidade. Depois de responder, o mapa da plataforma é atualizado e exibe as camadas de dados desejadas, como o percentual de cobertura vegetal. A assistente ainda ajuda a selecionar as informações relevantes, sugere novas perguntas relacionadas e explica conceitos que apareçam na tela, tudo por comandos de voz, facilitando o acesso de quem não possui conhecimentos especializados em mapas digitais.
O que sabemos?
- Ferramenta permite conversar por voz com mapas urbanos.
- Desenvolvida na USP, em São Carlos.
- Ajuda a explorar dados sobre calor e vegetação.
- Acesso à plataforma é por um link disponibilizado pela equipe.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial




