Uso de inteligência artificial como terapeuta e parceiro emocional aumenta preocupações sobre saúde mental
Especialistas alertam para riscos de dependência e impactos comportamentais ao substituir relações humanas por bots de IA
A crescente utilização de chatbots para suporte emocional entre jovens levanta debates sobre seus efeitos na saúde mental. Especialistas apontam riscos como redução de tolerância a conflitos e exposição de dados pessoais.
O uso de inteligência artificial (IA) para fins emocionais está em expansão, especialmente entre os jovens, que buscam nos chatbots um apoio para desabafos, aconselhamento e até relacionamentos. Segundo uma fonte ligada ao tema, uma pesquisa da Ipsos BVA prevê que, até 2025, 51% dos jovens europeus terão utilizado IA com esses fins, como suporte e companhia. Além disso, dados da Associação Americana de Psicologia indicam que o número de chatbots que atuam como amigos ou amantes cresceu 700%, revelando uma tendência preocupante na sociedade moderna.
Para especialistas, essa dependência traz riscos sérios à saúde emocional e comportamental. O psicólogo André Machado explica que a facilidade de acesso, a disponibilidade 24 horas e a ausência de julgamento são fatores que levam jovens e adultos a recorrerem às plataformas de IA em momentos de crise ou solidão. Ele afirma que, embora essa relação possa aliviar a sensação de isolamento, ela pode acabar criando uma falsa sensação de acolhimento, reduzindo a tolerância às dificuldades naturais das relações humanas, como conflitos e divergências. "A pessoa passa a preferir a companhia virtual por ser previsível e acolhedora, o que diminui sua capacidade de lidar com o desconforto e de negociar conflitos na vida real", detalha Machado.
Outro ponto destacado pela fonte é o impacto dos desabafos íntimos compartilhados com bots na privacidade. Segundo fontes do setor, esses dados, muitas vezes, podem ser considerados por plataformas de IA como parte de suas revisões internas, expondo informações pessoais sensíveis. Além disso, especialistas ressaltam que a tecnologia deve ser encarada como uma ferramenta de apoio à organização de ideias ou auxílio pontual, não como substituta de profissionais qualificados, como terapeutas ou orientadores de relacionamento.
Paulo Aguiar, professor da PUC-PR e pesquisador em IA Generativa, reforça que, mesmo com a sensação de proximidade criada por vozes, memorizações e personalizações realizadas pelos bots, a experiência permanece artificial.
Fontes
- gshow fonte especializada





