Tecnologia

O impacto da eletrificação nos sistemas de climatização dos veículos no Brasil

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Novas tecnologias elevam eficiência, mas exigem adaptações na manutenção de carros elétricos e híbridos

Carro elétrico com sistema de ar-condicionado ativado
Imagem: CNN Brasil

O crescimento acelerado na venda de veículos eletrificados no Brasil está transformando os sistemas de ar-condicionado automotivos, que agora têm funções além do conforto, incluindo a gestão da temperatura de componentes essenciais ao funcionamento do carro.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil registrou no primeiro semestre de 2026 o emplacamento de 215.023 veículos leves híbridos e elétricos, representando um aumento de 125% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram vendidos cerca de 95.493 unidades. Este aumento expressivo faz com que um em cada cinco carros vendidos no país seja atualmente elétrico ou híbrido, sinalizando uma mudança significativa na matriz de veículos em circulação.

Além da maior presença no mercado, as mudanças tecnológicas nos veículos eletrificados têm impacto direto nos sistemas de climatização, que deixam de ser meramente para o conforto e passam a desempenhar um papel crucial na gestão térmica de componentes essenciais ao funcionamento do veículo. Segundo André Eduardo Oliveira, diretor da Mastercool Brasil, "nos veículos eletrificados, a climatização passa a ter uma função mais ampla. O sistema não está relacionado apenas ao conforto dos passageiros, mas também ao controle da temperatura de componentes importantes para o funcionamento e a eficiência do veículo".

Nessas máquinas, o principal avanço está na arquitetura do acionamento do compressor de ar-condicionado. Diferentemente dos automóveis a combustão, onde o compressor depende do motor por meio de correias, nos híbridos e elétricos, o equipamento é movido por circuitos de alta tensão através de compressores elétricos. Essa alteração permite que a climatização opere independentemente do motor estar ligado ou desligado, otimizando o uso da energia e facilitando o gerenciamento térmico de sistemas como a bateria de tração, a eletrônica de potência e o motor elétrico.

Importante destacar que, nos modelos 100% elétricos, o consumo do compressor, alimentado pela bateria principal, reflete diretamente na autonomia do veículo. Para mitigar o impacto na autonomia, as montadoras têm adotado soluções como bombas de calor, climatização por zonas específicas do carro e o pré-condicionamento da cabine enquanto o carro ainda está conectado ao carregador. Essas medidas visam equilibrar o conforto e a performance, mas também representam novos desafios para a manutenção especializada, pois circuitos de alta voltagem exigem equipamentos de proteção específicos e procedimentos rigorosos na hora de diagnósticos e reparos.

Segundo fontes do setor, a adaptação das oficinas e profissionais da área é uma prioridade, já que a presença de componentes de alta tensão e fluidos com especificações dielétricas rigorosas exige conhecimento técnico atualizado. A discussão sobre essas mudanças será aprofundada na Febrava RIO, entre 6 e 8 de outubro, com especialistas reforçando a necessidade de capacitação contínua diante da evolução do mercado automotivo elétrico e híbrido. Assim, o avanço tecnológico no setor automobilístico não só muda a cara dos veículos, mas também redefine conceitos e procedimentos de manutenção, refletindo uma transformação que ainda está em pleno desenvolvimento.

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O que sabemos?

  • O Brasil emplacou 215.023 veículos híbridos e elétricos no primeiro semestre de 2026.
  • Aumento de 125% nas vendas comparado ao mesmo período de 2025.
  • Sistema de climatização nos elétricos controla também a temperatura de componentes do veículo.
  • Nos modelos 100% elétricos, o compressor consome energia da bateria, influenciando a autonomia.

Fontes

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