Empresa americana aposta em tecnologia quântica para melhorar separação de terras raras no Brasil
Parceria entre USA Rare Earth e empresas francesas busca inovação na cadeia de minerais estratégicos
A USA Rare Earth, dona da operação de mineração Serra Verde em Goiás, fechou parceria com empresas de tecnologia da França e dos EUA para usar computação quântica e inteligência artificial na separação de terras raras. O projeto visa tornar o processo mais eficiente e sustentável, com foco na complexa tarefa de separar elementos utilizados na indústria de alta tecnologia.
Segundo informações obtidas junto às empresas envolvidas, a USA Rare Earth, responsável pela operação da Serra Verde em Minaçu, Goiás, está investindo em inovação tecnológica para aprimorar a cadeia de extração de terras raras, minerais essenciais para a fabricação de eletrônicos, ímãs e componentes de alta tecnologia. A estratégia envolve uma parceria com a francesa Pasqal e a americana Riven Systems, cujo objetivo principal é desenvolver novas técnicas de separação usando computação quântica e inteligência artificial (IA).
De acordo com a fonte, o projeto está ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, com foco na identificação de moléculas extratantes capazes de separar com maior eficiência os diferentes elementos de terras raras. Essa etapa é considerada uma das mais desafiadoras na cadeia produtiva, pois, após a mineração e o processamento inicial, os elementos permanecem em produtos intermediários, como o carbonato misto de terras raras, e é necessário separá-los em componentes pura para mercados de maior valor agregado. Segundo a empresa, uma maior seletividade dessas moléculas poderia simplificar o processo, reduzindo a quantidade de etapas, o uso de equipamentos e insumos, além de diminuir custos operacionais.
O que torna essa parceria especialmente relevante é que a capacidade de separação, atualmente dominada por fabricantes na Ásia — principalmente na China —, é um gargalo na indústria mundial de terras raras, especialmente para elementos pesados como disprósio e térbio. Segundo a USA Rare Earth, essa concentração de capacidade limita a competitividade de outros países e favorece a dependência do mercado asiático. Ainda não houve confirmação oficial de que a operação brasileira produzirá materiais diretamente utilizados na fase inicial ou intermediária do projeto, mas a iniciativa busca acelerar a descoberta de moléculas que possam tornar esse processo mais eficiente.
De acordo com a comunicação das empresas, a Riven realizará milhares de experimentos automatizados para gerar dados sobre o comportamento de diferentes extratantes, que serão usados para treinar modelos de IA. A Pasqal contribuirá com seus computadores quânticos para comparar modelos de aprendizado de máquina quântico com modelos convencionais. Essa tecnologia, embora não seja aplicada diretamente na planta de Minas Gerais, ajudará a acelerar a pesquisa, que poderá resultar em melhorias significativas na separação de terras raras e, consequentemente, na autonomia de países fora da Ásia na cadeia produtiva desses minerais estratégicos.
Entre as matérias-primas previstas para testes futuros, estão os resíduos reciclados de ímãs e os carbonatos mistos de terras raras do projeto Round Top, no Texas. A operação brasileira, embora responsável pela produção de concentrado misto, ainda não teve seus materiais citados especificamente na fase de testes do programa. A Serra Verde, que atualmente opera em Minaçu, destaca-se pela presença de terras raras pesadas, elemento que compõe a maior parte da complexidade na separação e cuja dominância atualmente fica com a China, reforçando a importância do Brasil na diversificação desse mercado crítico.
O que sabemos?
- A USA Rare Earth opera a mina Serra Verde em Goiás desde recentemente.
- A parceria envolve empresas francesa Pasqal e americana Riven Systems.
- O foco é usar computação quântica e IA para melhorar a separação de terras raras.
- O projeto ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento.
- A capacidade de separar terras raras é atualmente dominada por a China.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





