Tecnologia

Startup chinesa projeta chegada de cérebros robóticos às residências em 2034

Em apuração ?

Tecnologia avança, mas entraves no processamento de dados podem atrasar uso doméstico de humanoides inteligentes.

Robô humanoide com expressão inteligente, simbolizando avanço na IA.
Imagem: Folha de S.Paulo

A Spirit AI, empresa de tecnologia chinesa, acredita que robôs com cérebros artificiais poderão atuar em nossas casas em até 11 anos, após previsão de avanço significativo em 2027.

Segundo a startup chinesa Spirit AI, os cérebros de robôs humanoides poderão alcançar um avanço importante por volta de 2027. A previsão é de que, nesse período, a inteligência artificial desses dispositivos seja comparável ao modelo GPT-3.0, que impulsionou o ChatGPT, e possibilite tarefas mais complexas do que as atuais. Entretanto, a implantação desses robôs em residências ainda não está confirmada oficialmente e pode levar pelo menos oito anos, devido a um problema central: a escassez de dados de treinamento de alta qualidade, necessários para o desenvolvimento de modelos robustos de IA.

Segundo Gao Yang, cofundador e cientista-chefe da Spirit AI, o grande gargalo atualmente está na construção de cérebros artificiais capazes de aprender e decidir de forma autônoma. Em entrevista à Reuters, na última quinta-feira, Gao ressaltou que enquanto hardware avançado permite que os robôs chineses façam movimentos como correr, dançar ou saltar, o maior desafio reside no software, especialmente no desenvolvimento de cérebros que possam lidar com tarefas variadas e ambientes não estruturados, como os residenciais.

Os robôs da Spirit AI, por exemplo, já conseguiram atingir uma taxa de sucesso de 90% em tarefas simples dentro de ambientes acadêmicos e de produção. Essas máquinas, que utilizam o modelo Moz1 com rodas, estão presentes nas linhas de montagem de empresas como a fabricante de baterias CATL e a varejista JD.com, que também é uma investidora. A companhia, fundada em 2024, levantou mais de US$ 670 milhões e atualmente é avaliada em cerca de 20 bilhões de yuans (equivalentes a aproximadamente R$ 14,9 bilhões).

Apesar do avanço, Gao explicou que ainda há dificuldades na execução de ações de motricidade fina, como abrir uma garrafa ou lidar com objetos flexíveis, além do desafio de treinar esses cérebros em cenários não simulados, utilizando dados do mundo real. Para isso, a Spirit AI emprega cerca de 1.000 profissionais que coletam informações com equipamentos vestíveis em residências e fábricas, o que, segundo informações de uma outra fonte, é uma estratégia diferente de muitos concorrentes que preferem usar simulações virtuais para treinar seus modelos, reduzindo custos.

Por enquanto, o potencial de aplicação dos robôs em tarefas industriais é mais próximo, com previsão de maior chegada ao setor de serviços comerciais nos próximos dois anos. A visão de longo prazo, de acordo com Gao, é que até 2034 esses cérebros artificiais estejam presentes em nossas casas, tornando-se parte do cotidiano, embora essa previsão ainda esteja longe de ser uma certeza devido aos desafios no processamento de dados e na implementação real dos robôs no ambiente residencial.

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O que sabemos?

  • A Spirit AI prevê avanço significativo na inteligência dos cérebros de robôs até 2027.
  • A implantação de robôs inteligentes em residências pode ocorrer a partir de 2034.
  • Atualmente, os robôs da Spirit AI têm 90% de sucesso em tarefas simples em ambientes estruturados.
  • A empresa está avaliada em cerca de R$ 14,9 bilhões e levantou mais de US$ 670 milhões.
  • Desafios incluem o desenvolvimento de cérebros capazes de lidar com tarefas complexas e dados do mundo real.

Fontes

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