Tecnologia

Prêmio literário na França remove indicado por suspeita de uso de inteligência artificial

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Academia Goncourt está investigando o autor haitiano-canadense após acusações de tecnologia na autoria do livro

Imagem relacionada ao prêmio Goncourt e à controvérsia sobre IA na literatura
Imagem: Folha de S.Paulo

A Academia Goncourt, um dos mais prestigiados prêmios literários da França, excluiu um indicado por suspeitas de uso de inteligência artificial na escrita. A decisão ocorreu após uma denúncia anônima que aponta o possível uso de IA no romance do escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien.

Na sexta-feira (25), a Academia Goncourt, responsável por um dos mais renomados prêmios literários da França, anunciou a remoção do escritor haitiano-canadense Thélyson Orélien da lista de indicados ao prêmio. Segundo informações divulgadas pelos organizadores, a decisão foi motivada por suspeitas de que o autor utilizou inteligência artificial para escrever o livro "C'était Ça ou Mourir" (em português, "Era isso ou morrer"), considerado um forte concorrente até então.

A acusação veio de uma conta anônima no X (antigo Twitter), sob o perfil Balance ton Claude, que dedica-se a identificar livros escritos com a ajuda de IA. O perfil afirmou ter baseado a denúncia no veredito da ferramenta Pangramed, um sistema de detecção automática de textos produzidos por inteligência artificial. Segundo a organização do prêmio, fundamentaram sua decisão em "resultados convergentes de diversas análises realizadas por pesquisadores e jornalistas confiáveis," que indicam que a obra é, "muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial".

Thélyson Orélien negou as acusações em entrevista ao jornal francês Libération. Ele afirmou: "Não vejo por que teria recorrido a uma máquina" e acrescentou que sofreu ataques racistas, o que, segundo ele, pode ter influenciado a suspeita. Sua editora, a Editions du Boréal, declarou ter total confiança no autor. Ainda, ainda segundo fontes, a acusação se apoiou na análise de uma ferramenta tecnológica, que supostamente mostrou sinais de que o livro teria sido escrito com auxílio de IA, uma controvérsia que atingiu o autor e reacendeu debates sobre a autenticidade na literatura digital.

Até o momento, o clube não se pronunciou oficialmente sobre os detalhes do procedimento ou se há investigações adicionais em andamento. Este caso suscita discussões importantes sobre o impacto da inteligência artificial na produção literária e os limites éticos envolvendo a autenticidade de obras, sobretudo em um cenário onde o uso de tecnologia na escrita vem crescendo. A situação também levanta questões sobre como os prêmios literários podem lidar com essas novas tecnologias e a validação do trabalho autoral na era digital.

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O que sabemos?

  • A Academia Goncourt removeu o autor haitiano-canadense Thélyson Orélien da lista de indicados.
  • A decisão foi anunciada na sexta-feira (25).
  • A acusação deve-se a uma denúncia de uma conta anônima no X, que alegou uso de inteligência artificial na obra.
  • A ferramenta Pangramed foi usada para detectar suposto uso de IA no livro.
  • Orélien negou as acusações e afirmou que sofreu ataques racistas.

Fontes

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