Por que muitas pessoas sentem que não estão completas sem usar perfume?
Estudo revela a conexão emocional e neurológica por trás do hábito de passar fragrâncias na rotina diária
Pesquisadores explicam que o uso de perfume vai além da aparência, estando ligado a memória, emoções e sensação de segurança, além de impulsionar um dos maiores mercados de fragrâncias do mundo.
Muito mais do que um mero detalhe de higiene, passar perfume antes de sair de casa é uma prática quase automática para grande parte da população, especialmente no Brasil, que é o segundo maior mercado de fragrâncias do mundo, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Ainda segundo a entidade, 78% dos brasileiros consomem algum tipo de perfume, e o setor de beleza e cuidados pessoais faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025, com crescimento de 10%. Mas por que essa insistência tão intensa? Pesquisadores de neurociência e psicologia explicam que o hábito está diretamente ligado às áreas emocionais e de memória do cérebro, mais do que à aparência física. Segundo eles, o olfato — ou sentido do cheiro — possui uma conexão neuronal única, que não passa pelo tálamo, área responsável por filtrar estímulos sensoriais, como acontece com visão e audição. Em vez disso, os sinais olfativos seguem direto para o bulbo olfatório, que conecta-se imediatamente às regiões relacionadas às emoções e à memória, como a amígdala e o hipocampo. Essa via direta explica por que um aroma pode evocar lembranças e sentimentos instantaneamente, proporcionando uma sensação de bem-estar e segurança. A neurocientista Rachel Herz, especialista na psicologia do olfato, afirma que o cheiro pode "disparar instantaneamente uma resposta emocional junto com uma memória", além de repercutir positivamente no humor e na redução do estresse. Ainda que a maioria dos estudos se concentre em experimentos com animais ou evidências indiretas, a teoria é que o ato de borrifar perfume muitas vezes representa, na psique, uma tentativa de manter uma sensação de controle emocional e conforto, algo especialmente valorizado na rotina diária moderna. Essa conexão íntima entre cheiro e emoção explica também a febre por fragrâncias na Geração Z, que utiliza produtos como body splash — com uma versão de feromônios, por exemplo — como uma forma de reforçar a autoestima e a sensação de estar centrada. Ainda não há confirmação oficial de estudos específicos que relacionem diretamente o consumo de perfume com efeitos neuroquímicos ou de bem-estar, mas as evidências sugerem uma forte ligação evolutiva e psicológica. Com esse entendimento, fica claro por que o ato de passar perfume, aparentemente simples, mantém uma importância emocional que reforça sentidos, memórias e até o equilíbrio emocional de muitas pessoas.
O que sabemos?
- Brasil é o segundo maior mercado de fragrâncias do mundo
- 78% dos brasileiros usam perfume
- Setor de perfumaria faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025
- Olfato se conecta diretamente às áreas de memória e emoção no cérebro
Fontes
- CNN Brasil imprensa





