Óculos inteligentes geram debates de privacidade em Londres e no mundo
Tecnologia avançada provoca preocupações sobre consentimento e gravações secretas
O crescente uso de óculos com inteligência artificial, capazes de capturar vídeos, fotos e áudio, levanta questões sobre privacidade. Proprietários de estabelecimentos e órgãos reguladores têm se posicionado contra a tecnologia, enquanto fabricantes buscam alternativas mais seguras.
Nos bares, teatros e restaurantes do centro de Londres, uma batalha silenciosa tem se desenrolado ao redor de um dispositivo que vem ganhando popularidade: os óculos inteligentes equipados com inteligência artificial. Segundo uma fonte que acompanha o setor, a gigante do setor óptico EssilorLuxottica afirmou que, em 2025, foram vendidos cerca de 7 milhões de pares de óculos com recursos de IA. Esses dispositivos, que podem gravar vídeos, tirar fotos e captar áudios de forma discreta, têm provocado reações variadas, especialmente entre proprietários de estabelecimentos e órgãos de regulação.
De acordo com informações obtidas, o setor de tecnologia está em constante evolução; a Meta, parceira da EssilorLuxottica na fabricação de seus óculos, deve anunciar na próxima conferência Connect uma nova linha de óculos inteligentes que não terão câmeras, tentando contornar as preocupações relacionadas à privacidade. Além disso, empresas como Samsung e Google estão também na corrida pelo desenvolvimento de novos modelos de óculos com IA, com lançamentos previstos para este outono. A Meta, por sua vez, já atualizou seus óculos com uma função que desativa a câmera em caso de detecção de violação de privacidade.
Apesar do avanço tecnológico, a reação de setores da sociedade tem sido de preocupação. Vídeos nas redes sociais mostram homens filmando mulheres sem o consentimento delas, o que levantou debates sobre a capacidade de proteger a privacidade diante de dispositivos quase invisíveis. Como explica Irina Raicu, diretora do programa de ética na internet do Markkula Center for Applied Ethics, “fica cada vez mais difícil se proteger apenas olhando ao redor e verificando o ambiente.”
No Reino Unido, estabelecimentos como a rede de pubs Wetherspoon já começaram a restringir o uso de óculos inteligentes nas suas unidades, diante do receio de gravações não autorizadas. Ainda não há uma confirmação oficial, mas a expectativa é de que a Meta apresente na próxima quarta-feira uma versão de óculos sem câmeras, numa tentativa de equilibrar inovação e privacidade. Essa disputa reflete um momento em que a tecnologia, embora promissora, colide com preocupações éticas e legais, que ainda estão sendo debatidas em tribunais e na sociedade.
Por enquanto, o que se sabe é que os dispositivos com IA estão crescendo em número e funcionalidade, mas também despertando dúvidas sobre os limites do que é permitido na captura de imagens e sons pessoais. Resta aguardar para ver como fabricantes, reguladores e consumidores vão lidar com esse novo cenário, onde o invisível se torna cada vez mais presente e potencialmente invasivo.
O que sabemos?
- 7 milhões de óculos com IA vendidos em 2025, segundo a EssilorLuxottica.
- Meta deve lançar óculos inteligentes sem câmera na próxima conferência, ainda não confirmado oficialmente.
- Samsung e Google planejam lançar óculos com IA neste outono.
- Proprietários de estabelecimentos no Reino Unido restringiram o uso de óculos inteligentes em seus locais.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





