Tecnologia

Chatbots de IA violam regra do TSE ao avaliarem candidatos à presidência, aponta análise

Informações checadas ?

Ferramentas de inteligência artificial foram usadas para classificar candidatos, mesmo orientações contrárias às normas eleitorais, segundo teste realizado pela Folha.

Ilustração de chatbots e candidatos em uma tela digital
Imagem: Folha de S.Paulo

Testes com cinco plataformas de IA generativa revelam que três delas descumprem norma do TSE ao ranquear e avaliar propostas de candidatos à presidência, criando possíveis distorções no cenário eleitoral.

Recentemente, uma investigação conduzida pela Folha revelou que diversos chatbots de inteligência artificial (IA) desrespeitaram uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que desde março proíbe plataformas de ranquear, recomendar ou priorizar candidatos, campanhas e partidos políticos. A norma foi criada para evitar influências indevidas no processo eleitoral, mas, segundo o teste, pelo menos três dessas ferramentas parecerem ter avaliado candidatos, atribuindo notas que poderiam impactar a percepção do eleitorado.

De acordo com a reportagem, as plataformas Claude, da Anthropic; DeepSeek, da DeepSeek; e Gemini, do Google, receberam a missão de avaliar propostas presidenciais, mesmo com a orientação de não classificar ou ranquear os candidatos. A surpresa veio ao verificar que Claude e DeepSeek atribuíram pontuações mais elevadas ao candidato Ronaldo Caiado, do PSD, enquanto Gemini teve uma avaliação mais favorável ao ex-presidente Lula, do PT. Ainda não há um posicionamento oficial dos responsáveis pelas ferramentas, e a própria Folha ressaltou que as respostas variaram em diferentes testes realizados em dias distintos colocando em xeque a confiabilidade dessas plataformas nesse contexto.

Além disso, duas dessas plataformas — ChatGPT, da OpenAI, e Grok, da xAI — se recusaram a atribuir notas, alegando respeitar as normas do TSE. A própria reportagem mostrou que, ao repetir a mesma consulta com apenas 24 horas de intervalo, todas as plataformas forneceram respostas diferentes, o que fez variar o ranking dos candidatos e levantou preocupações sobre a possível influência dessas avaliações na formação de opinião do público.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, esse tipo de uso de IA sem regulamentação adequada pode criar um cenário de favoritismo injusto durante a campanha eleitoral, sobretudo por essas plataformas não serem autoridades em análise política e, muitas vezes, não serem transparentes quanto aos critérios utilizados nas avaliações. O TSE ainda não se manifestou oficialmente sobre os resultados, mas a investigação reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa na aplicação de tecnologias de IA no contexto político brasileiro. Até o momento, nenhuma das empresas responsáveis pelas ferramentas confirmou oficialmente sua conduta ou as intenções por trás dessas avaliações, o que mantém o assunto sob análise e debate na esfera pública.

Publicidade

O que sabemos?

  • Três plataformas de IA (Claude, DeepSeek e Gemini) descumpriram regra do TSE ao ranquear candidatos.
  • Claude e DeepSeek atribuíram notas maiores a Ronaldo Caiado.
  • Gemini deu melhor avaliação a Lula.
  • Ferramentas ChatGPT e Grok se negaram a dar notas.
  • Respostas das plataformas variaram em testes feitos em dias diferentes.

Fontes

Publicidade