Tecnologia de implante cerebral permite comunicação simultânea de fala e gestos em pessoas com paralisia grave
Sistema inovador usa inteligência artificial para interpretar sinais cerebrais e criar avatares que reproduzem ações humanas
Um avanço na interface cérebro-computador permite que duas pessoas com paralisia grave comuniquem-se usando fala e gestos ao mesmo tempo, por meio de um único implante cerebral. A tecnologia, ainda em fase de testes, registra atividades elétricas no cérebro que são convertidas em texto e movimentos de avatares digitais.
Uma pesquisa liderada pelo neurocirurgião Edward Chang, da Universidade da Califórnia em São Francisco, revelou um avanço importante na comunicação de pessoas com paralisia grave. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira pela revista Galileu, um único implante cerebral foi capaz de captar a intenção de falar e fazer gestos de dois voluntários ao mesmo tempo, permitindo que eles transmitissem suas ideias a um sistema digital que as interpreta e reproduz na forma de palavras e movimentos de avatares personalizáveis.
De acordo com a fonte, o procedimento envolveu a instalação de uma grade com 253 eletrodos na superfície do córtex sensório-motor, região do cérebro relacionada aos movimentos e à fala. Um dos pacientes havia sofrido um acidente vascular cerebral no tronco encefálico, enquanto o outro tinha diagnóstico de ELA (esclerose lateral amiotrófica), uma doença neurodegenerativa que provoca perda progressiva do controle muscular. Durante o treinamento, os participantes tentaram pronunciar frases e fazer gestos, como acenar e balançar a cabeça, enquanto os sinais cerebrais eram registrados e utilizados para ensinar modelos de aprendizagem de máquina a reconhecer padrões específicos.
Segundo Samantha Brosler, coautora do estudo, a inclusão de dados de fala, gestos e combinações entre eles aprimorou a capacidade do sistema de interpretar ações simultâneas. Após esse treinamento, os sistemas foram conectados a avatares virtuais, que reproduziam os movimentos de corpo inteiro de cada participante. Os testes mostraram que, em alguns casos, o primeiro voluntário atingiu 100% de precisão ao responder perguntas usando fala e gestos, enquanto o segundo apresentou 75% de precisão na fala e 85% nos gestos. Além disso, as taxas de correspondência, que avaliam como os movimentos e palavras gerados correspondiam às intenções originais, ficaram em 88% para os gestos do primeiro paciente e 84% para a fala, contra 66% e 70%, respectivamente, do segundo.
A tecnologia, ainda que promissora, é considerada uma prova de conceito. Os autores do estudo destacam que o sistema atualmente reconhece um conjunto limitado de frases e ações, e não consegue reproduzir conversas espontâneas ou movimentos contínuos do corpo de forma integral. Mesmo assim, Brosler afirmou à revista que "foi realmente emocionante" ver os avanços. Os pesquisadores planejam ampliar o vocabulário e aperfeiçoar o controle do sistema em futuras etapas, com o objetivo de oferecer uma comunicação mais natural para quem depende de dispositivos de auxílio à fala.
Até o momento, o estudo não foi completamente confirmado por outras fontes, e a tecnologia permanece em fase experimental. Ainda assim, a possibilidade de conectar o cérebro humano a um computador, interpretando intenções de fala e movimentos ao mesmo tempo, representa um passo importante na busca por melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência motora grave. Poder-se-á, futuramente, transformar a interação dessas pessoas com seu entorno e ampliar suas possibilidades de comunicação e autonomia financeira e social.
O que sabemos?
- A pesquisa utiliza um implante cerebral com 253 eletrodos.
- Dois voluntários com paralisia grave participaram do teste.
- Sistema interpreta sinais cerebrais e reproduz fala e gestos em avatares.
- Resultados mostraram alta precisão na interpretação de ações e palavras.
- A tecnologia está em fase de prova de conceito, com potencial de desenvolvimento futuro.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





