Paciente de Curitiba ensina receita de salpicão na internação e conquista equipe do hospital
Mulher de 51 anos compartilha tradição familiar durante tratamento e prato é servido a todos no hospice
Edina Cristina Francisco, diagnosticada com melanoma, usou sua paixão culinária para criar um momento de união na unidade de cuidados paliativos, que resultou na disseminação de sua receita entre funcionários e pacientes.
Durante uma internação no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, uma paciente de 51 anos transformou uma situação delicada em um gesto de solidariedade e acolhimento. Edina Cristina Francisco, que luta contra um melanoma recentemente descoberto, ensinou para a equipe de nutrição como preparar um salpicão, prato tradicional de sua família. O que era para ser uma simples orientação virou uma iniciativa que atingiu toda a unidade de cuidados paliativos, servindo o salpicão para pacientes, acompanhantes e funcionários.
Segundo informações divulgadas pelo G1, Edina foi internada após passar por três cirurgias devido ao avanço de seu câncer de pele, que inicialmente foi detectado em uma lesão no calcanhar em setembro de 2024. Após 30 dias de internação no hospital, ela foi transferida, em 15 de julho, para o hospice, uma unidade especializada em oferecer conforto ao paciente com doenças graves ou avançadas. A unidade, que no Paraná é o único com 25 leitos, se dedica a melhorar a qualidade de vida do paciente, mesmo quando os tratamentos já não são capazes de curar a enfermidade.
Durante sua permanência na unidade, Edina enfrentava dificuldades com a comida oferecida, e a equipe decidiu propor a ela uma escolha. Em conversa com sua mãe, ela revelou sua preferência pelo salpicão, uma receita que costumava fazer em reuniões de família. A paciente então escreveu a receita à mão e entregou a uma nutricionista do hospital. Em poucos dias, o prato foi preparado pelos profissionais de nutrição e cozinha, sendo servido em canudos, uma inovação no formato de apresentação. Ela destacou que o prato, feito com batata palha, na forma que fazia em casa, ganhou uma roupagem diferente, mas manteve o sabor de suas raízes familiares.
A iniciativa emocionou tanto a equipe quanto os demais pacientes, que passaram a comentá-la e a imitá-la. Segundo o médico de cuidados paliativos, Luiz Sérgio Batista Segundo, o objetivo do serviço é proporcionar conforto e uma melhor qualidade de vida ao que ainda é possível, mesmo quando o quadro clínico é avançado.
Fontes
- G1 imprensa





