Google envia chips de inteligência artificial para órbita terrestre em teste pioneiro
Missão busca avaliar desempenho de processadores em espaço e explorar uso de energia solar ilimitada
A gigante da tecnologia enviou componentes de IA ao espaço pela primeira vez, visando aprimorar infraestrutura de aprendizado de máquina em órbita. O projeto, em fase de testes, sugere avanços que podem transformar o armazenamento de dados e o processamento de informações fora da Terra.
Em uma iniciativa inédita no setor de tecnologia, o Google enviou chips de inteligência artificial para a órbita terrestre nesta quinta-feira, segundo informações divulgadas pela própria empresa. A missão, parte do Projeto Suncatcher, aconteceu a bordo do foguete Falcon 9, da SpaceX, que decolou a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, levando 130 cargas úteis, incluindo pequenos satélites. Ainda em fase de testes, o objetivo principal é avaliar o desempenho desses chips — chamados Unidades de Processamento Tensorial (TPUs) — que são projetados para acelerar tarefas de inteligência artificial e aprendizado de máquina. Segundo o Google, a iniciativa busca explorar o potencial de usar satélites equipados com esses componentes para criar uma infraestrutura escalável de processamento de dados no espaço. A empresa destaca que, em órbita baixa da Terra, os satélites podem acessar luz solar quase constante, gerando até oito vezes mais energia solar do que na superfície terrestre, o que poderia viabilizar operações de alta capacidade sem as limitações de energia de centros de dados tradicionais. Ainda não é oficial, mas há planos de lançar dois satélites adicionais em 2027, com o objetivo de testar ligações por laser de alta banda passante, facilitando a comunicação entre os satélites e os centros terrestres. Segundo uma postagem no blog do Google, a escolha de enviar os chips ao espaço também foi motivada pela necessidade de realizar testes que só podem ser feitos em condições reais de radiação e variações de temperatura do ambiente espacial, após experimentos prévios realizados no Laboratório Nuclear Crocker, da Universidade da Califórnia. A expectativa é que, futuramente, uma rede de satélites carregando dezenas de chips cada possa formar uma verdadeira 'nuvem' de processamento de IA em órbita, oferecendo uma alternativa aos centros de dados terrestres, que consomem muita energia e recursos naturais. Ainda não confirmado oficialmente, o projeto tem a concorrência de Elon Musk, fundador da SpaceX, que já prometeu enviar data centers ao espaço, usando a energia solar ilimitada para operação, além de outros nomes influentes do setor de tecnologia, como Jeff Bezos, da Amazon e da Blue Origin, que também sugeriram possibilidades semelhantes. Essa movimentação indica uma tendência de explorar o espaço como nova fronteira para infraestrutura de alta tecnologia, embora alguns detalhes ainda estejam em fase de teste e validação.
O que sabemos?
- Google enviou chips de IA ao espaço a bordo do foguete Falcon 9 na quinta-feira, segundo a empresa.
- A missão faz parte do Projeto Suncatcher, ainda em fase de testes, com foco em avaliar o desempenho dos chips em ambiente espacial.
- O objetivo é criar uma infraestrutura de processamento de dados em órbita, aproveitando a energia solar quase constante dos satélites.
- Estão previstos lançamentos de dois satélites adicionais em 2027 para testar conexões via laser de alta largura de banda.
- A iniciativa busca explorar o potencial de usar satélites com chips de IA para substituir centros de dados terrestres.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





