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Estudo aponta efeitos duradouros de testes nucleares na Coreia do Norte

Em apuração ?

Explosões subterrâneas poderiam ter provocado deslocamentos na crosta terrestre por anos após os testes

Imagem ilustrativa de ondas sísmicas e mapa da região do Monte Mantap
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores analisaram dados sísmicos de 2008 a 2025 e sugerem que testes nucleares realizados na Coreia do Norte podem ter causado atividades sísmicas prolongadas devido ao impacto na estrutura geológica ao redor do Monte Mantap.

Um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Chengdu, na China, trouxe novas evidências sobre o impacto prolongado dos testes nucleares realizados na Coreia do Norte na região do Monte Mantap. Segundo a publicação na revista Science, análises de dados contínuos de ondas sísmicas indicam que os efeitos dessas explosões subterrâneas podem ter se estendido por anos após a realização dos testes, causando movimentos e falhas na crosta terrestre.

A equipe analisou registros de estações de monitoramento na China e na Coreia do Sul, cobrindo o período de 2008 a 2025, e utilizou uma técnica avançada de detecção chamada filtro correspondente para identificar tremores menores que normalmente não seriam percebidos por redes convencionais. Os resultados mostraram que os tremores não estavam distribuídos aleatoriamente: eles se alinhavam em duas estruturas distintas e paralelas, uma delas relacionada a uma falha geológica conhecida, e outra aparentemente a uma falha ainda não mapeada.

De acordo com os pesquisadores, as explosões responsáveis pelos testes nuclear no Monte Mantap danificaram a crosta ao redor de uma área que já apresentava fragilidades naturais. Mesmo após o fim das explosões, as tensões nas rochas não se estabilizaram imediatamente, pois a própria topografia da montanha, com suas encostas pesadas e íngremes, exercia uma pressão constante que agravou a dano na crosta. Modelagens computacionais sugerem que, ao enfraquecer essas rochas sob pressão, as falhas próximas passaram a deslizar gradualmente, resultando em atividades sísmicas que ainda podem ser detectadas anos depois das explosões, um fenômeno que preocupa especialistas no monitoramento nuclear mundial.

Os autores do estudo destacam que essas descobertas revelam como explosões subterrâneas podem causar efeitos geológicos duradouros em regiões heterogêneas e propensas a tensões. Além disso, reforçam que o prolongamento da atividade sísmica complica o rastreamento de tremores causados por testes antigos, dificultando a distinção entre esses e terremotos naturais — um aspecto importante para o controle internacional do mercado nuclear, especialmente diante do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares. Ainda não há confirmações oficiais adicionais, e o governo norte-coreano não se pronunciou a respeito.

Rodrigo Mozelli, jornalista que integra a equipe do portal Olhar Digital, aponta que, embora essa relação ainda não esteja completamente esclarecida, os resultados revelam um impacto de longo prazo que pode alterar estratégias de monitoramento global. A pesquisa levanta dúvidas importantes sobre as reais consequências ambientais e sísmicas dos testes nucleares subterrâneos, especialmente em regiões onde há estrutura geológica complexa e atividade tectônica.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores analisaram dados sísmicos de 2008 a 2025.
  • Testes nucleares na Coreia do Norte podem ter causado atividades sísmicas duradouras.
  • Explosões danificaram a crosta ao redor do Monte Mantap, que estava sob pressão.
  • Falhas geológicas próximas podem ter sido ativadas por anos após os testes.
  • Estudo reforça dificuldades no monitoramento internacional de testes nucleares.

Fontes

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