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Cães-selvagens africanos fazem a maior jornada registrada na busca por parceiros na Zâmbia

Em apuração ?

Grupo percorreu quase 4 mil quilômetros em uma aventura repleta de riscos e descobertas

Imagem ilustrativa de cães-selvagens africanos em movimento na savana africana
Imagem: Revista Galileu

Durante nove meses, sete cães-selvagens da mesma família viajaram por vastas regiões da Zâmbia, enfrentando perigos e deslocando-se por uma distância inédita entre mamíferos terrestres africanos. A jornada revelou comportamentos sociais complexos e levanta alertas sobre ameaças humanas à espécie.

Uma expedição surpreendente de cães-selvagens africanos na Zâmbia vem chamando atenção de pesquisadores pelo recorde de distância percorrida em busca de parceiros reprodutivos. Segundo uma fonte da revista Science, uma matilha composta por quatro fêmeas e três machos percorreu cerca de 4 mil quilômetros ao longo de nove meses, um feito considerado inédito entre os mamíferos terrestres do continente africano. Os animais deixaram o parque onde viviam, em grupos diferentes, em momentos distintos, com as fêmeas inicialmente permanecendo próximas ao parque, enquanto os irmãos seguiram rumo ao leste, em direção à região central do Zâmbia.

O percurso entre os três machos, que chegaram a se reencontrar mais de 965 quilômetros do ponto de partida, foi marcado por odisseia e riscos, já que as trajetórias deles incluíram inúmeros desvios, que elevaram a distância total a quase dez vezes a linha reta — aproximadamente 4 mil quilômetros, comparado a uma distância direta de 418 quilômetros.

Segundo Scott Creel, pesquisador da Universidade Estadual de Montana e autor principal do estudo, essa busca por parceiros, comum na espécie, torna-se uma verdadeira aventura diante dos obstáculos enfrentados. “Eles estão em busca de uma oportunidade… e precisam continuar procurando até encontrá-la. Isso realmente se transforma em uma odisseia”, afirmou Creel. Entretanto, a jornada não foi livre de perigos. Ainda de acordo com a fonte, várias das fêmeas podem ter morrido após serem capturadas por armadilhas usadas na caça de animais selvagens. Em outubro de 2025, coleiras de monitoring indicaram movimentos incomuns em uma região próxima à cidade de Kabwe, sugerindo que uma das fêmeas ficou presa em uma armadilha de arame. Outra cadela monitorada aparentemente também teve o mesmo destino, ficando sem transmitir sinais após alguns dias.

Segundo Creel, essa ameaça à espécie— que enfrenta uma crescente pressão por atividades humanas— é uma das principais preocupações. A caça ilegal e o uso de armadilhas de arame representam um risco real à sobrevivência dos cães-selvagens selvagens na região. Apesar desses riscos, os machos continuaram sua jornada, que em linha reta seria de cerca de 418 quilômetros, mas que, na prática, por desvios e zigue-zagues, atingiu quase a distância de 4 mil quilômetros. Para Matt Becker, diretor executivo do Programa de Carnívoros da Zâmbia, essa trajetória revela ainda que áreas de conservação no país ainda se conectam, mantendo redes de habitat para esses animais.

Na visão dos pesquisadores, o percurso demonstra a importância de preservar esses corredores ecológicos que garantem a sobrevivência da espécie. Ainda não há confirmação de que toda a matilha tenha sobrevivido à jornada, mas o feito em si já é considerado uma gigante contribuição para o estudo do comportamento dos cães-selvagens africanos e, pior, destaca as ameaças humanas constantes à sua integridade. O estudo ainda está em andamento e, por enquanto, a maior parte das informações veio de registros de coleiras eletrônicas, úteis para entender tanto a resistência quanto os riscos enfrentados por esses animais na busca por parceiros em uma paisagem marcada por atividades humanas.

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O que sabemos?

  • Grupo de cães-selvagens africanos percorreu quase 4 mil quilômetros na Zâmbia entre setembro de 2025 e junho de 2026.
  • A viagem envolveu sete animais: três machos e quatro fêmeas, todos da mesma família.
  • Trajetória mostrou desvios e zigue-zagues, elevando a distância percorrida para quase dez vezes a linha reta, cerca de 4 mil km.
  • Riscos incluem armadilhas de caça que podem ter causado a morte de várias fêmeas.
  • Estudo é baseado em monitoramento por coleiras eletrônicas, ainda não confirmado oficialmente.

Fontes

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