Estudo revela que ações humanas mais prejudiciais à Amazônia do que as secas extremas
Pesquisa do Inpe aponta que desmatamento e queimadas são os principais responsáveis pelas emissões de carbono na floresta
Um estudo do Inpe publicado na revista Nature mostra que a ação humana, especialmente o desmatamento e as queimadas, supera os efeitos das secas na emissão de carbono da Amazônia. Mesmo em anos de seca severa, atividades humanas continuam sendo a maior ameaça.
Segundo uma pesquisa recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) publicada nesta quarta-feira (21) na revista Nature, a ação humana tem causado mais impactos à Amazônia do que as secas extremas, como as provocadas pelo fenômeno El Niño. A análise de 15 anos de medições aéreas de gás carbônico (CO₂) revela que, entre 2010 e 2024, a floresta na região brasileira passou a emitir mais carbono do que conseguiu absorver, com uma média de 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais por ano na atmosfera.
Segundo a autora do estudo, a pesquisadora Luciana Gatti, duas forças explicam essa mudança. Uma delas é a ação direta do ser humano, que inclui o desmatamento, responsável por eliminar árvores capazes de capturar carbono, além das queimadas, que devolvem à atmosfera o carbono armazenado na vegetação. A outra força são as condições climáticas extremas, como secas e altas temperaturas, que deixam a floresta menos capaz de absorver CO₂. Ainda assim, a pesquisa indica que a ação humana domina o cenário, com 98% das queimadas relacionadas às atividades humanas, mesmo em anos de seca extrema. Essa predominância também é evidenciada pelo fato de que, nos anos de eventos de El Niño ou Atlântico aquecido, o número de focos de incêndio foi 92% maior.
Segundo os dados analisados, a maior fonte de emissão de carbono na floresta é o fogo provocado por atividades humanas. As queimadas, em média, emitiram 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ por ano, valor superior ao saldo total das emissões regionais. Mesmo nos períodos sem seca, o aumento no desmatamento resultou em emissões quase quadruplicadas entre 2019 e 2022, anos em que as chuvas e temperaturas estiveram próximas do normal. Além disso, oito em cada dez focos de incêndio registrados no Amazonas estão em imóveis rurais, segundo dados do próprio Inpe.
A consequência dessas ações ultrapassa as fronteiras da floresta: a alteração do clima na própria Amazônia já pode ser sentida. Em 46 anos, a região teve uma queda de 8% na média anual de chuvas, chegando a uma redução de 20% na estação seca. Ainda, a temperatura média na região subiu 1,13°C, aumento que contribui para o agravamento dos efeitos das queimadas e do desmatamento. Como a floresta atua como uma “esponja de carbono”, ajudando a regular as temperaturas e as chuvas, essa mudança na saúde do ecossistema tem impactos diretos para o clima de todo o Brasil, transportando umidade e influenciando a ocorrência de precipitações em outras regiões.
Fontes
- G1 imprensa





