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Estudo revela como pequenas mudanças na estrutura do tomate podem aumentar sua resistência a pragas

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Pesquisa internacional identifica alterações químicas que potencializam a defesa natural da planta contra a traça-do-tomateiro

Estudo revela como pequenas mudanças na estrutura do tomate podem aumentar sua resistência a pragas
Imagem: Agência FAPESP

Uma equipe de pesquisadores descobriu que a resistência do tomateiro à praga pode estar relacionada à forma tridimensional de uma molécula de defesa. A alteração de apenas quatro aminoácidos em uma enzima foi suficiente para modificar a eficácia da planta contra insetos.

Um estudo internacional, apoiado pela FAPESP e cuja publicação ocorreu na revista Nature Communications, revelou detalhes sobre a resistência natural de tomates silvestres à traça-do-tomateiro, uma das principais pragas que afeta a planta. Segundo a pesquisa, a diferença estaria na arquitetura molecular de uma substância de defesa produzida pelas plantas, especificamente no modo como uma enzima relacionada à produção de compostos químicos se apresenta tridimensionalmente. A descoberta aponta que a modificação de apenas quatro aminoácidos — as unidades que compõem as enzimas — consegue alterar a forma da molécula, aumentando sua toxicidade contra a praga. Essa informação abriu possibilidades para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes por edição genética, uma tecnologia que pode revolucionar o manejo de pragas na agricultura.

A coordenação do estudo foi feita por Jiancai Li, professor do Instituto de Fisiologia e Ecologia Vegetal de Xangai e da Universidade da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim, com a participação de José Maurício Simões Bento, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). De acordo com fontes envolvidas, a equipe combinou conhecimentos de genética, bioquímica e ecologia química para entender como as pequenas diferenças moleculares influenciam a capacidade de defesa das plantas frente a insetos. Ainda não há confirmação oficial sobre a aplicação direta dessa pesquisa na produção comercial de tomates, mas os resultados representam um avanço importante na compreensão das defesas naturais das plantas.

O estudo focou nos chamados glicoalcaloides esteroidais, substâncias que atuam na defesa química de plantas do gênero Solanum, como tomate, batata e berinjela. Nos tomates silvestres, predomina a filotomatina, enquanto nas variedades cultivadas encontra-se a α-tomatina. Ambas possuem a mesma quantidade de açúcares, mas suas estruturas espaciais — a forma que as moléculas assumem — divergem por causa de uma característica chamada quiralidade, que é quando uma molécula não pode ser sobreposta à sua imagem no espelho. Segundo fontes, a compreensão dessa quiralidade foi fundamental para entender como as variações na estrutura influenciam na eficácia da defesa química das plantas frente aos insetos.

Segundo explicou um dos coordenadores do estudo, a vida em si é altamente quiral, com aminoácidos e açúcares presentes predominantemente em uma única forma enantiomérica, ou seja, uma das duas configurações espelhadas possíveis. Essa assimetria pode determinar o sucesso de uma molécula na interação com proteínas biológicas, o que reforça a importância do entendimento de pequenas alterações na estrutura molecular para o desenvolvimento de pragas menos resistentes às defesas naturais das plantas. Ainda não há previsão de quando essa pesquisa poderá ser aplicada na agricultura, e o clube não se pronunciou oficialmente, aguardando confirmação de novos estudos ou testes práticos.

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