Calor recorde nos oceanos preocupa especialistas e impacta a economia global
Temperaturas extremas ameaçam ecossistemas, infraestrutura e mercado de pesca, enquanto clima se aquece com força sem precedentes
A temperatura média dos oceanos atingiu níveis inéditos em agosto, elevando alertas de crise ambiental e econômica. Fenômenos como o aumento do nível do mar e a degradação de recifes reforçam a urgência de ações internacionais.
Segundo o observatório europeu Copernicus, a temperatura média dos oceanos, excluindo as regiões polares, foi de 21,07°C em agosto, igualando o recorde anterior de março de 2024. Esse dado alarmante faz parte de uma tendência de aquecimento global que tem sido intensificada pelas atividades humanas e pelo fenômeno natural El Niño, que está especialmente forte neste ciclo. Ainda não confirmado oficialmente por todas as fontes, a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica que esses foram os "100 dias de calor recorde" nesta época do ano e comenta que a tendência de temperaturas altas deve persistir até pelo menos 2027, devido ao contínuo aquecimento global, considerado o motor principal desse fenômeno.
O calor extremo nos oceanos não é uma ameaça à biodiversidade apenas na teoria; suas consequências visíveis estão se multiplicando. Segundo informações do mundo científico, já há efeitos concretos na economia global, como a redução na quantidade de sardinhas pescadas por pescadores marroquinos e o fechamento de reatores nucleares na França devido à proliferação de águas-vivas, que dificultam a operação de usinas e navios. Além disso, recifes de coral, essenciais para a saúde dos ecossistemas marinhos por absorverem carbono, estão sendo severamente impactados, o que compromete o turismo em várias regiões e afeta as comunidades costeiras.
Para especialistas, essa situação deveria ser motivo de preocupação também para quem gerencia os recursos financeiros globais, pois os efeitos desses fenômenos naturais intensificados pelo aquecimento já começam a afetar a infraestrutura energética, de pesca e o clima de forma geral. Segundo Tom Pickerell, biólogo e diretor do programa de oceanos do World Resources Institute, "o calor prolongado nos oceanos não é apenas um problema ambiental", mas uma questão que coloca a economia e o bem-estar das populações sob risco. A próxima cúpula do clima da ONU, a COP31, prevista para novembro em Antália, na Turquia, com a presidência conjunta da Turquia e da Austrália, deve tratar justamente dessas questões emergentes.
Especialistas explicam que o aumento da temperatura na superfície oceânica provoca a expansão térmica da água, que eleva o nível do mar, ameaçando especialmente nações insulares no Pacífico e no Índico. Além disso, aumenta a frequência e intensidade de eventos extremos, como ciclones, chuvas torrenciais e ondas de calor, o que agrava ainda mais os riscos às populações costeiras, às infraestruturas e à economia dessas regiões. A exemplo do que vem acontecendo recentemente na Europa e na América do Norte, a elevação da temperatura dos oceanos também prejudica a pesca, reduzindo a biodiversidade e, consequentemente, a quantidade de peixes disponíveis, afetando os pescadores e os mercados de alimentos. Ainda não há confirmação de todas as fontes sobre os detalhes específicos de cada evento, mas o cenário reforça a urgência de ações globais para mitigar esses efeitos.
O que sabemos?
- A temperatura média dos oceanos em agosto foi de 21,07°C, igualando recorde de março de 2024.
- O fenômeno El Niño atual está especialmente intenso, agravando o aquecimento.
- Segundo a NOAA, houve uma série de '100 dias de calor recorde' nesta época do ano.
- O aquecimento dos oceanos causa aumento do nível do mar, prejudicando países insulares.
- Consequências incluem menor quantidade de peixes, destruição de recifes de coral e fenômenos climáticos extremos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





