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Crise diplomática entre Brasil e EUA se agrava com indicação de embaixador e revogação de vistos

Em apuração ?

Tensão aumenta após ações do governo americano sob mandato de Trump, afetando relações bilaterais

Reunião diplomática entre representantes do Brasil e dos EUA com clima tenso
Imagem: G1

O Brasil avalia que os EUA aceleraram procedimentos na indicação de seu próximo embaixador, enquanto revogação de vistos gerou fricções diplomáticas. Especialistas questionam a rapidez e o protocolo adotados.

Um novo capítulo na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos vem sendo observado após uma série de movimentos que, segundo fontes diplomáticas brasileiras, demonstram uma mudança na postura do governo americano. Ainda não confirmado oficialmente, o Brasil avalia que os Estados Unidos queimaram etapas na indicação do seu novo embaixador, Daniel Perez, levantando dúvidas sobre o procedimento e os prazos tradicionais em negociações diplomáticas. Além disso, a revogação do visto da atual embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, foi destacada como um fator de tensão que agravou o clima de desconfiança entre as duas nações. Segundo fontes próximas ao Itamaraty, essa substituição de ações mais protocolares por medidas rápidas e incisivas reflete uma mudança no estilo de diplomacia adotado pelos EUA sob a administração de Donald Trump, que desde seu segundo mandato, iniciado em 20 de janeiro de 2025, tem priorizado uma política externa mais transacional e de ganhos imediatos para o país.

De acordo com analistas ouvidos por fontes como a BBC News Brasil, essa política, marcada por guerras tarifárias e intervenções em eleições de outros países, vem alterando profundamente a estrutura do Departamento de Estado americano. A American Foreign Service Association (AFSA), que representa diplomatas de carreira nos Estados Unidos, estima que cerca de 3 mil desses profissionais, de um total de aproximadamente 14 mil, tenham deixado seus cargos nos últimos 18 meses, com relatos de que muitos experientes e altamente qualificados estão sendo forçados a sair ou se aposentando precocemente. Para a AFSA, essa mudança ameaça a expertise acumulada no país ao longo de décadas e pode prejudicar a posição internacional dos EUA a longo prazo.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, essas demissões fazem parte de uma reestruturação considerada por ele “histórica” e “minuciosamente planejada” para alinhar a diplomacia americana ao princípio de 'America First'. Ele afirmou que todos os procedimentos legais foram seguidos na notificação dos funcionários e que a nova estratégia busca uma atuação mais ágil e eficiente. Ainda assim, para a própria associação de diplomatas, há uma preocupação de que a politização do serviço externo atingiu um patamar sem precedentes, sobretudo porque a maioria das indicações feitas por Trump para postos de embaixadores tem sido de políticos indicados por aliados ou doadores de campanha, e apenas uma pequena parcela, cerca de 20 embaixadores até agosto, são diplomatas de carreira.

Segundo dados da AFSA, o percentual de diplomatas de carreira indicados a postos diplomáticos nos Estados Unidos neste mandato chega a menos de 18%, um dado considerado o menor da história do país. Em gestões anteriores, esse índice ficava acima de 60%. O próprio porta-voz Pigott reforçou que a administração Trump tem o direito de escolher quem representa os interesses americanos ao redor do mundo, embora essa mudança tenha causado repercussões na relação com o Brasil, que ainda aguarda mais esclarecimentos oficiais. Ainda não há, pelo momento, um pronunciamento formal da Embaixada dos EUA ou do governo brasileiro sobre essas ações, e a situação permanece sob análise.

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O que sabemos?

  • EUA aceleraram a indicação do embaixador brasileiro em Washington.
  • Revogação do visto da embaixadora brasileira ocorreu em agosto.
  • O governo americano está passando por uma reestruturação no Departamento de Estado.
  • Cerca de 3 mil diplomatas deixaram cargos nos últimos 18 meses, segundo AFSA.
  • A maioria das indicações para embaixadores nos EUA são de políticos indicados por Trump, com menos de 20 diplomatas de carreira nomeados até agora.

Fontes

  • G1 imprensa
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