Situação da vacinação contra o sarampo preocupa em meio a surtos nos países vizinhos
Brasil mantém esforços para reforçar imunização e evitar novos surtos da doença.
Apesar de avançar na vacinação, o Brasil ainda não atinge a meta de 95% de cobertura contra o sarampo, enquanto países vizinhos enfrentam aumentos expressivos de casos.
O Brasil enfrenta um momento delicado na luta contra o sarampo, doença altamente contagiosa, ainda que tenha recuperado seu status de país livre da circulação endêmica da infecção em novembro de 2024. Segundo fonte do Departamento Nacional de Imunizações, a situação é agravada pelos surtos em países vizinhos, como Peru e Bolívia, onde já se registram aproximadamente 3 mil e mais de 20 mil casos, respectivamente. O diretor do departamento destacou ao G1 que o foco das autoridades brasileiras agora é aumentar a vigilância e fortalecer a vacinação no oeste do Amazonas, próximo às fronteiras com o Peru, uma região considerada de risco aumentado devido à proximidade com os surtos na região.
Apesar do esforço, a cobertura nacional com a imunização completa, ou seja, duas doses da vacina tríplice viral, permanece abaixo de 80%, bem longe da meta de 95% sugerida pelos especialistas para impedir a circulação sustentada do vírus. Ainda de acordo com a mesma fonte, o percentual de cobertura em crianças de até 5 anos, grupo mais vulnerável, atingiu 91% em 2024, mas também não alcançou o índice ideal. A primeira dose, que oferece entre 94% e 96% de imunidade, vem sendo aplicada com maior eficiência, mas a segunda dose, que é fundamental para garantir mais de 97% de proteção, ainda não atingiu a meta de 95%, com dados apontando 91% de cobertura nesse grupo neste ano.
Os estados que lideram a cobertura vacinal no momento são Ceará, com 86,69%; Paraná, com 86,76%; e Minas Gerais, com 86,05%. Já os que apresentam índices mais baixos incluem Amapá, com 63,59%; Pará, com 67,02%; Maranhão e Rio de Janeiro, ambos com pouco mais de 69%. Para 2025, os melhores índices continuam nos mesmos estados, agora com pequenas variações, enquanto os piores permanecem no Pará, Goiás e Amapá, com cobertura abaixo de 65%.
Embora o Brasil não registre transmissão sustentada do sarampo, casos importados continuam a surgir, representando uma ameaça de novos surtos, especialmente em regiões de baixa cobertura vacinal. Segundo infectologista ouvidos pelo G1, o país já contabiliza 39 casos em 2025, e pouco mais de 50 em 2026, com maior incidência na capital paulista. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o cenário é ainda mais grave, com mais de 3.600 casos neste ano e cinco mortes, levando Nova York a declarar estado de emergência no início de outubro. Especialistas alertam que a redução da vacinação favorece o acúmulo de indivíduos susceptíveis, aumentando o risco de que casos isolados evoluam para surtos maiores. Segundo eles, manter a vacinação em níveis acima de 95% é essencial para evitar esse tipo de amplificação da doença, além de garantir que as coberturas sejam homogêneas, para que as regiões com índices baixos não se tornem focos de transmissão.
O que sabemos?
- Brasil recuperou o status de país livre de circulação endêmica de sarampo em novembro de 2024.
- Casos importados continuam sendo identificados, com 39 registrados em 2025 e pouco mais de 50 em 2026.
- Surtos em países vizinhos, como Peru e Bolívia, elevam o risco de importação da doença ao Brasil.
- Cobertura vacinal completa com duas doses da tríplice viral ainda não atinge 80% no país.
- Os Estados com maiores índices de imunização são Ceará, Paraná e Minas Gerais, enquanto Amapá, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro apresentam índices mais baixos.
Fontes
- G1 imprensa





