Saúde

Estudo revela uso significativo de medicamentos sem eficácia contra a Covid no Brasil

Em apuração ?

Pesquisadores apontam alta no consumo de remédios como azitromicina, ivermectina e cloroquina durante a pandemia

Pessoa segurando remédios diversos em uma farmácia
Imagem: Folha de S.Paulo

Uma pesquisa realizada pelos universidades UFPel e da University of Illinois Urbana-Champaign mostra que 63% dos brasileiros que tiveram Covid usaram algum medicamento para tratar a doença, sendo que uma parcela consumiu produtos com eficácia ainda não comprovada.

Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da University of Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, revelou que uma grande parcela da população brasileira utilizou medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Segundo a pesquisa, 63% das 9.591 pessoas entrevistadas, que relataram ao menos uma infecção pelo coronavírus, usaram algum remédio para tratar a doença, mesmo sem comprovação científica do benefício dessas drogas. Entre os medicamentos mais utilizados estão os antitérmicos, que tiveram adesão de 53,7% dos participantes, e os antibióticos, usados por 36,2%. No entanto, o maior destaque foi para o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a azitromicina, usada por 27,2%, a ivermectina, por 23,6%, e a cloroquina, por 12,1%. A pesquisa ainda aponta que a maior incidência de consumo de remédios sem eficácia ocorreu no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, regiões onde a proporção de uso chegou a 74,1%, 67,6% e 65,2%, respectivamente. Interessantemente, a cloroquina foi mais utilizada por homens, com 13,5% de adesão, enquanto a ivermectina apresentou maior frequência entre aqueles que desconfiavam da ciência, refletido na maior proporção de 20,6% de uso entre participantes que não confiavam em cientistas, contra 10,1% entre os que confiaram. Segundo a fonte, uma possível explicação para esse padrão é que o uso desses medicamentos foi incentivado por campanhas de promoção de supostas curas durante o período de pandemia, apoiadas por figuras públicas, líderes religiosos e influenciadores digitais, além do respaldo de entidades médicas em alguns casos. Ainda de acordo com o estudo, o comportamento de busca por medicamentos é mais comum entre quem procurou assistência médica durante a infecção, podendo indicar orientações médicas inadequadas ou automedicação. Além disso, o uso de remédios foi mais elevado entre as camadas de menor renda, chegando a 70,1% entre quem recebia menos de um salário-mínimo, o que pode refletir dificuldades de acesso a cuidados de saúde mais adequados. A pesquisa não confirma se a orientação médica foi sempre adequada, mas sugere que a disseminação de informações falsas e a presença de recomendações não respaldadas cientificamente tiveram impacto considerável no padrão de consumo de remédios durante a pandemia.

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O que sabemos?

  • 63% dos brasileiros relataram uso de algum medicamento para Covid
  • Azitromicina, ivermectina e cloroquina foram os mais consumidos sem eficácia comprovada
  • Maior uso de medicamentos ocorreu no Norte, Nordeste e Centro-Oeste
  • Usuários que desconfiavam da ciência apresentaram maior uso de cloroquina e ivermectina
  • Uso foi mais frequente entre pessoas de menor renda e quem procurou atendimento médico durante a doença

Fontes

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