Estudo revela que diagnóstico do autismo pode demorar até quatro anos no Brasil
Pesquisa aponta obstáculos na identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista, com médias que variam de 3,9 a 6,6 anos
Uma revisão de estudos realizada pelo Instituto Pelé Pequeno Príncipe alerta para atrasos de até quatro anos entre os primeiros sinais percebidos pelas famílias e o diagnóstico oficial no Brasil. Fatores como a dificuldade de reconhecimento e a escassez de especialistas dificultam o processo.
Segundo uma pesquisa liderada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil pode ocorrer até quatro anos após os primeiros sinais observados pelos cuidadores. O estudo, publicado na revista científica "Children" em agosto de 2026, revisou oito trabalhos de origem brasileira e internacional que envolveram mais de 24 mil participantes, evidenciando que o caminho até a confirmação do diagnóstico está cheio de obstáculos.
Entre esses obstáculos estão a dificuldade de reconhecer sinais iniciais do autismo, a ausência de acompanhamento estruturado do desenvolvimento infantil e encaminhamentos tardios, além da escassez de profissionais especializados. Ainda segundo a revisão, o tempo entre a primeira preocupação dos cuidadores e a confirmação do diagnóstico em serviços de nível terciário foi de aproximadamente 49 meses — isso equivale a cerca de quatro anos — em um estudo específico dessa categoria. Nesse grupo, a idade média do diagnóstico era de 79,2 meses, ou aproximadamente 6,6 anos, revelando um atraso considerável em relação a outros países.
Segundo a autora principal do estudo, ainda não confirmado oficialmente, essa demora não se aplica a todas as crianças brasileiras, mas evidencia um panorama preocupante. Os dados também apontam diferenças quando comparados a outras amostras, como aquelas atendidas em Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), onde a idade média ao diagnóstico foi de 66 meses, ou seja, 5,5 anos, com apenas 30,4% dos casos considerados diagnósticos precoces, feitos antes dos 48 meses. Outro levantamento, envolvendo uma amostra brasileira de estudo multinacional, reportou idade média de 47,3 meses, ou cerca de 3,9 anos, com um intervalo médio de 27 meses entre os primeiros sinais e o diagnóstico.
Pesquisadores destacam que, embora a média de idade para o diagnóstico varie dependendo do estudo, o atraso na confirmação clínica ainda é uma realidade que pode impactar o desenvolvimento das crianças. Entre os fatores que contribuem para esse atraso estão a normalização de sinais iniciais considerados naturais, a desconsideração das preocupações das famílias, o acompanhamento insuficiente do desenvolvimento infantil e a baixa utilização de ferramentas específicas de rastreio. Além disso, há casos em que as famílias precisam viajar até capitais para encontrar especialistas, uma dificuldade que muitas vezes só aumenta o tempo até o diagnóstico.
Essa situação reforça a necessidade de políticas públicas e capacitação de profissionais para fazer frente às barreiras na identificação precoce do TEA. Ainda que o estudo ainda não tenha confirmação oficial de dados adicionais, ele lança luz sobre um problema que pode comprometer o início de tratamentos essenciais e o desenvolvimento pleno de crianças com autismo no Brasil.
O que sabemos?
- O diagnóstico do TEA pode demorar até quatro anos após os primeiros sinais percebidos pelas famílias.
- A idade média do diagnóstico em serviços terciários é de aproximadamente 6,6 anos.
- Apenas 30,4% dos diagnósticos feitos antes dos 48 meses em estudo específico.
- Levantamentos indicam que a idade média para o diagnóstico varia entre 3,9 a 5,5 anos.
- Fatores como a falta de reconhecimento dos sinais e a escassez de especialistas dificultam a identificação precoce.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





