Baixa conscientização sobre hiperplasia prostática benigna preocupa especialistas
Estudo revela que muitos homens acima de 50 anos desconhecem os sintomas e riscos da doença
Pesquisa chinesa indica que mais da metade dos homens de 50 anos ou mais desconhecem a hiperplasia prostática benigna, condição comum que pode evoluir para complicações sérias.
Um estudo recente feito na China e divulgado na revista Neurourology Urodynamics aponta para uma preocupação importante na saúde masculina: o desconhecimento sobre a hiperplasia prostática benigna. Segundo a pesquisa, mais da metade dos homens com 50 anos ou mais ainda não têm informações suficientes sobre essa condição, que é extremamente comum nessa faixa etária.
A pesquisa, que analisou 444 questionários entre 2023 e 2024, revelou que entre os participantes, há uma grande lacuna de conhecimento sobre os sintomas e a gravidade do problema. Desses, 191 tinham entre 60 e 69 anos. A hiperplasia, caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata, tende a se desenvolver com o envelhecimento, atingindo aproximadamente 90% dos homens acima de 80 anos, segundo o urologista Marcelo Wroclawski, coordenador da área de hiperplasia prostática benigna da Sociedade Brasileira de Urologia.
Entre os sinais mais comuns da condição estão dificuldade para iniciar a urinação, jato fraco ou intermitente, sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada, aumento da frequência urinária durante o dia e necessidade de urinar à noite. Além disso, há casos de urgência miccional e incontinência urinária, que é o escape involuntário de urina. Ainda que esses sintomas possam ser confundidos com o envelhecimento natural, especialistas alertam que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações mais graves.
Segundo o urologista Gustavo Caserta Lemos, do Einstein Hospital Israelita, o atraso na procura por atendimento, muitas vezes motivado por ignorância, vergonha ou dificuldades de acesso, faz com que muitos casos só sejam tratados quando o quadro já está mais avançado, o que aumenta os riscos de consequências sérias. Quando a próstata cresce e comprime a uretra, a passagem da urina fica dificultada, obrigando a bexiga a trabalhar com mais força. Esse esforço contínuo pode danificar a musculatura da bexiga e levar à formação de divertículos, pequenas bolsas de tecido que podem favorecer o surgimento de cálculos vesicais.
Nos casos mais graves, a bexiga pode parar de esvaziar adequadamente, acumulando urina residual, o que potencialmente provoca dilatação dos rins e prejuízo à sua função, além de aumentar o risco de obstrução completa da saída urinária. Como os rins continuam produzindo urina normalmente, a pressão gerada pode comprometer também o funcionamento renal, agravando o quadro de saúde de quem sofre com essa condição. Apesar de ser benigno, o crescimento da próstata precisa de acompanhamento médico para evitar essas complicações, que, segundo ainda não confirmado oficialmente, podem ser agravadas pela falta de informação da população masculina.
O que sabemos?
- Mais da metade dos homens acima de 50 anos desconhecem os sintomas da hiperplasia prostática benigna.
- A condição é altamente prevalente em idosos, atingindo quase 90% dos acima de 80 anos.
- Sinais incluem dificuldade para urinar, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto, e necessidade de urinar à noite.
- A demora na procura por tratamento pode levar a complicações graves, como obstrução completa e dano renal.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





