Saúde

Novos medicamentos de alta tecnologia chegam ao SUS para tratar câncer de pulmão

Informações checadas ?

Ampliada a oferta de terapias inovadoras na rede pública de saúde brasileira

Medicamento em frasco ao lado de uma placa com o símbolo de câncer de pulmão
Imagem: Jornal da USP

O Ministério da Saúde anunciou a introdução de três medicamentos avançados no tratamento do câncer de pulmão pelo SUS, beneficiando cerca de 1,9 mil pacientes.

O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer, a partir de outubro, três novos medicamentos de alta tecnologia voltados ao tratamento do câncer de pulmão, uma das doenças mais comuns e mortais no Brasil. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, as novidades fazem parte da ampliação da Assistência Farmacêutica Oncológica e devem beneficiar aproximadamente 1,9 mil pacientes em todo o país. Ainda não há confirmações oficiais sobre detalhes específicos das aquisições, mas a medida representa um avanço na tentativa de modernizar o cuidado com a doença na rede pública.

De acordo com o que foi divulgado, os novos fármacos são brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe, cada um indicado para diferentes estágios ou tipos de diagnóstico da enfermidade. Segundo o médico oncologista Saulo Brito Silva, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, esses medicamentos atuam de maneiras distintas em relação às células tumorais: enquanto o brigatinibe e o gefitinibe trabalham em alterações específicas de proteínas que promovem o crescimento do câncer, o durvalumabe pertence à classe das imunoterapias, que modificam a resposta do sistema imunológico para reconhecer e combater melhor os tumores.

Segundo ainda o especialista, o gefitinibe e o brigatinibe são indicados para casos de câncer de pulmão avançado que já se espalharam para outros órgãos, condição conhecida como doença metastática. Já o durvalumabe é indicado para tumores não operáveis, que permanecem restritos ao pulmão, mas por estarem em regiões que dificultam a cirurgia. Apesar do acesso ampliado a esses medicamentos, Silva destaca que o combate ao câncer de pulmão continua sendo fortemente apoiado na prevenção, sobretudo na redução do tabagismo, principal fator de risco. Ele explica que, além dos fumantes ativos, os passivos — pessoas que convivem com quem fuma — também correm risco de desenvolver a doença, e que há, ainda, estudos em andamento sobre outros fatores de risco, como a poluição ambiental.

O câncer de pulmão ocupa uma posição de destaque entre os maiores tumores no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). A doença lidera as taxas de mortalidade principalmente por causa do diagnóstico tardio, que muitas vezes impede o uso de tratamentos cirúrgicos e aumenta a necessidade de terapias sistêmicas, como quimioterapia ou os novos medicamentos incorporados ao SUS.

Especialistas ressaltam que, apesar das melhorias no acesso aos medicamentos de alta tecnologia, a detecção precoce ainda é essencial para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Enquanto a chegada dessas terapias ao sistema público representa uma inovação importante, o enfrentamento eficiente do câncer de pulmão depende de uma combinação de ações: prevenção, diagnóstico precoce e tratamento atualizado, indicam os especialistas, reforçando a relevância de políticas de saúde voltadas à redução do tabagismo e à conscientização ambiental.

Publicidade

O que sabemos?

  • O SUS passa a oferecer brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe a partir de outubro.
  • São beneficiados cerca de 1,9 mil pacientes no Brasil.
  • Os medicamentos atuam de maneiras diferentes: os dois primeiros em proteínas específicas, o durvalumabe na imunoterapia.
  • Indicados para diferentes estágios do câncer de pulmão.
  • O câncer de pulmão é um dos mais comuns e letais no Brasil, com altas taxas de mortalidade por diagnósticos tardios.

Fontes

Publicidade