Saúde

Pesquisa brasileira revela nova estratégia de combate à leishmaniose cutânea

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Estudo identifica inibidores promissores para uma doença negligenciada que afeta milhões

Imagem ilustrativa de microscópio e enzimas relacionadas à pesquisa
Imagem: Jornal da USP

Um grupo da USP desenvolveu compostos capazes de bloquear uma enzima fundamental para a sobrevivência do parasita responsável pela leishmaniose cutânea, uma doença que ainda depende de tratamentos antigos e tóxicos.

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo anunciaram uma descoberta que pode marcar um avanço importante no combate à leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de regiões tropicais. Segundo informações divulgadas na revista Journal of Medicinal Chemistry, o estudo resultou na identificação de novos inibidores covalentes — compostos que formam ligações químicas de longa duração — de uma enzima essencial para a sobrevivência do parasita Leishmania braziliensis.

De acordo com a primeira autora do artigo, a pesquisadora Thamires Quadros Froes, a descoberta foi fruto de seu estágio de pós-doutorado realizado no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Fragmentos Moleculares (Craft) da FCFRP. Ainda segundo ela, o objetivo central foi encontrar uma forma de bloquear a enzima diidroorotato desidrogenase (DHODH), responsável por uma etapa fundamental na produção de pirimidinas — componentes essenciais para a formação de DNA e RNA. Como explicou a professora Maria Cristina Nonato, coordenadora do projeto, "quando bloqueamos a DHODH, interferimos na rota metabólica do parasita, que precisa dela para crescer, se dividir e manter suas funções celulares".

O desenvolvimento de derivados do ácido barbitúrico, compostos orgânicos capazes de se ligar covalentemente à enzima, foi a estratégia utilizada pelos pesquisadores. Ainda que esses compostos não possam ser considerados medicamentos ainda, eles representam um ponto de partida importante para futuras moléculas com potencial para tratamentos mais eficazes, seletivos e com menor toxicidade. A pesquisa enfatiza que, apesar das limitações atuais, os tratamentos existentes continuam a ser utilizados, mesmo apresentando desvantagens, como toxicidade, necessidade de administração prolongada ou por via injetável, além de respostas que variam conforme o parasita, região ou características do paciente.

O foco na leishmaniose cutânea, especificamente na espécie Leishmania braziliensis, deve-se à sua relevância médica e à capacidade de causar desde feridas na pele até formas mais graves com comprometimento de mucosas. Segundo a pesquisadora, o conhecimento acumulado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Fragmentos Moleculares ao longo de décadas sobre a estrutura da enzima DHODH dessa espécie foi fundamental para o sucesso do estudo. Ainda não há confirmação oficial de que esses compostos serão utilizados em humanos, pois o trabalho ainda está em estágio inicial, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre possíveis aplicações terapêuticas futuras.

A pesquisa brasileira, ainda não confirmada por outros órgãos ou fontes independentes, representa um avanço na busca por alternativas mais seguras contra uma doença que, por afetar países de baixa renda, costuma receber menos investimento em inovação. A descoberta, contudo, ainda está na fase de estudos laboratoriais, e os próximos passos serão determinar a eficácia em modelos animais ou humanos, o que pode levar anos de desenvolvimento até uma eventual aplicação clínica.

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O que sabemos?

  • Pesquisadores da USP identificaram inibidores covalentes da enzima DHODH do parasita Leishmania braziliensis.
  • O estudo foi publicado no Journal of Medicinal Chemistry.
  • Derivados do ácido barbitúrico foram utilizados para bloquear a enzima.
  • A pesquisa visa desenvolver tratamentos mais eficazes contra a leishmaniose cutânea.
  • O trabalho é resultado de um pós-doutorado na FCFRP da USP.

Fontes

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