Profissionais de saúde relatam rotina de atendimento a vítimas de violência doméstica em hospital de São Paulo
Enfermeira detalha experiências e indica sinais de maus-tratos em pacientes atendidas na capital paulista
Enfermeira que atua na emergência de hospital em São Paulo revela rotina de atendimento e sinais de violência contra mulheres, incluindo casos de gravidez e agressões graves.
Em um hospital de referência na zona sul de São Paulo, a rotina de atendimento às vítimas de violência doméstica foi descrita por Michelle Sousa, uma enfermeira de 36 anos que atua na supervisão de enfermagem. Segundo ela, a cada semana, entre uma e quatro vítimas chegam à unidade com sinais claros de agressões físicas. Nos últimos anos, até agosto de 2026, a média de atendimentos a casos de violência contra a mulher na unidade foi de três por semana, totalizando 269 registros, conforme datação de uma fonte ligada ao instituto que gerencia a unidade.
Michelle conta que, ao receber essas mulheres, a maioria delas chega com o rosto desfigurado, politraumatismos e machucados na cabeça, muitas vindas de situações de espancamento com socos, objetos ou até acidentes de trânsito com características de violência. Ela relata ainda que muitas dessas vítimas aparentam estar extremamente abaladas, envergonhadas e chegam sozinhas ou acompanhadas de familiares, às vezes até do próprio agressor. Ainda segundo a enfermeira, mulheres grávidas também fazem parte do perfil atendido frequentemente devido a agressões.
Ela destaca que, por ser um hospital de referência, os casos que chegam geralmente são mais graves e, por isso, a equipe médica e de enfermagem segue um protocolo que inclui a triagem para identificar sinais de violência. Bianca Miranda, diretora médica do IRSSL (Instituto de Responsabilidade Social do Sírio-Libanês), explica que, nesse primeiro contato, o profissional pode perceber sinais como postura retraída, medo, ansiedade, choro ou voz trêmula, além de dores inexplicadas e lesões incompatíveis com a narrativa da paciente. Como exemplo, ela cita um caso recente de uma mulher que, após um acidente de carro, inicialmente alegou que as lesões eram resultado de um acidente, mas durante o atendimento passou a apresentar contradições e sinais de que tinha sido vítima de agressões antes do acidente — evidências que levaram à avaliação de que ela foi agredida pelo próprio marido durante uma discussão dentro do automóvel.
Apesar desses relatos detalhados, a fonte ressalta que os dados específicos sobre a frequência dessas ocorrências podem variar, influenciados por feriados, finais de semana e outros fatores. Ainda assim, a rotina descrita evidencia uma realidade de enfrentamento para muitas mulheres que chegam ao SUS (Sistema Único de Saúde) com sequelas de violência, um problema que, segundo estudos, acomete pelo menos 15 mulheres por dia em todo o Brasil. A equipe de saúde, por sua vez, trabalha seguindo protocolos que incluem o suporte de profissionais de psicologia e assistência social, direcionados a evitar novas agressões e promover apoio às vítimas.
O que sabemos?
- Enfermeira Michelle Sousa trabalha na emergência de hospital em São Paulo.
- Casos de violência contra a mulher na unidade variam de uma a quatro por semana.
- Desde o ano passado até agosto de 2026, foram registrados 269 atendimentos por violência doméstica.
- As vítimas chegam geralmente com ferimentos graves e sinais de abuso múltiplo.
- Casos incluem vítimas de agressão durante gravidez e vítimas que chegam acompanhadas de agressor.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





