Crise climática influencia a nutrição infantil no Brasil e no mundo
Impactos de secas, enchentes e alta dos preços atingem especialmente crianças menores de cinco anos
Mudanças climáticas têm afetado a alimentação de crianças, dificultando acesso a alimentos saudáveis e contribuindo para problemas como obesidade e desnutrição. Nova ferramenta para monitorar esses efeitos está em desenvolvimento.
Recentemente, estudos e fontes apontaram que os efeitos das mudanças climáticas ultrapassaram os fatores ambientais e agora também impactam a nutrição infantil de forma direta. Segundo uma fonte do Painel Interativo de Sindemia Global, eventos como secas, enchentes e o aumento dos preços de alimentos têm dificultado o acesso de famílias a alimentos frescos, como frutas e verduras, substituindo-os por produtos de durabilidade maior, de baixo valor nutricional.
Essa situação ameaça o bem-estar de crianças menores de cinco anos, que agora enfrentam o risco duplo de obesidade — decorrente do consumo de alimentos ricos em calorias, porém pouco nutritivos — e de desnutrição, provocada pela escassez de alimentos essenciais. Ainda segundo a fonte, esse fenômeno não é isolado e faz parte de um quadro mais amplo de crises interligadas, que a revista científica The Lancet denominou de "sindemia global" em 2019. A palavra "sindemia" descreve a coocorrência de múltiplas epidemias que se interagem, agravando seus efeitos e partilhando causas sociais comuns, como desigualdade e dificuldades de acesso a alimentos saudáveis.
O painel, criado por pesquisadores do núcleo Sustentarea na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, visa ajudar a mapear esses problemas em nível municipal, além de criar alertas quando múltiplos fatores de risco para a saúde infantil se manifestam em um mesmo território. A ferramenta também acompanha a tendência de agravamento ao longo do tempo, oferecendo uma visão mais clara das interações entre o clima, os sistemas alimentares e a saúde das crianças.
Os sistemas alimentares, que representam cerca de 74% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, desempenham papel central nesse cenário. Eles influenciam o que chega às mesas das famílias, seu custo e qualabilidade de acesso. Como resultado, regiões mais vulneráveis podem apresentar uma combinação de altos índices de desnutrição e excesso de peso, fatores que reforçam a complexidade dessa crise. Destaca-se que o impacto dessas mudanças é uma preocupação crescente, embora ainda não haja confirmação oficial de dados específicos sobre a situação atual no Brasil, tendo sido divulgada até o momento apenas por uma fonte de um portal de notícias.
Assim, o que se sabe até agora é que esse fenômeno reflete uma crise multifacetada, onde saúde, clima e desigualdade se entrelaçam, exigindo atenção e ações coordenadas para proteger a nutrição e o crescimento das crianças no país e no mundo.
O que sabemos?
- Secas, enchentes e aumento dos preços de alimentos dificultam o acesso a alimentos nutritivos para crianças.
- Aumento do risco de obesidade e desnutrição infantis ocorre por mudanças nos sistemas alimentares.
- Ferramenta criada na Universidade de São Paulo ajuda a monitorar a relação entre clima, alimentação e saúde infantil.
- A sindemia global une problemas de saúde e ambientais com causas sociais comuns.
Fontes
- G1 imprensa





