Saúde

Estudos revelam possível impacto de químico plástico na saúde ovariana humana

Em apuração ?

Nova pesquisa sugere que substância comum pode afetar células do ovário além dos óvulos

Ilustração de células ovarianas expostas a substância química em laboratório
Imagem: ScienceAlert

Uma pesquisa conduzida na Suécia aponta que o uso de um plástico conhecido como DEHP pode alterar o funcionamento de diferentes tipos de células no ovário humano. A descoberta traz preocupações sobre possíveis efeitos na fertilidade, ampliando o debate sobre uso de certos produtos no cotidiano.

Um estudo recente, divulgado pela revista científica eBioMedicine, trouxe à tona uma preocupação crescente: o impacto de uma substância química amplamente presente em produtos de plástico, o DEHP, nas células do ovário humano. Segundo informações da pesquisa, feita por uma equipe do Instituto Karolinska, na Suécia, os resultados apontam que o composto, que é convertido no organismo em uma substância chamada MEHP, pode interferir em diferentes tipos de células ovarianas, não apenas naquelas responsáveis pela produção de óvulos.

O DEHP, ou di-2-ethylhexyl phthalate, é utilizado para conferir flexibilidade a materiais plásticos como tubos médicos, embalagens, cortinas de banheiro e até alguns adesivos de cílios postiços. A presença dessa substância no ambiente é frequente, e ela consegue entrar no corpo humano através do consumo de alimentos e água contaminados, sendo facilmente absorvida pela mucosa intestinal. Uma vez no organismo, o DEHP é metabolizado em MEHP, que, de acordo com o estudo, pode afetar o funcionamento do sistema endócrino, responsável por regular hormônios essenciais à fertilidade.

O estudo envolveu sete tecidos ovarianos de doadores, sendo cinco provenientes de pessoas que passaram por cirurgia de remoção de ovários sob orientação de procedimentos de afirmação de gênero, além de duas mulheres que tiveram seus tecidos coletados durante cesarianas eletivas. Os pesquisadores explicam que, embora essas doadoras não apresentem problemas ovarianos conhecidos e nenhuma delas seja fumante atualmente, algumas tiveram histórico de uso de terapia com andrógenos por períodos de três a oito anos. Essa particularidade levanta a possibilidade de que as condições do tecido ovariano dessas doadoras possam não representar perfeitamente a condição de uma mulher sem história de uso dessas substâncias hormonais, dificultando uma avaliação generalizada.

Após a remoção, as amostras de tecido foram cultivadas em laboratório para análise. A equipe de pesquisa observou que o MEHP influenciou um amplo espectro de células no ovário, incluindo células de suporte aos óvulos, imunológicas e residentes do sistema nervoso. “Nossos resultados mostram que os efeitos dos plastificantes atingem consideravelmente mais tipos celulares do que os focados tradicionalmente em pesquisas, como os folículos que produzem óvulos”, afirma a responsável pela equipe, uma bióloga especializada em reprodução humana. Uma das descobertas mais surpreendentes foi a alta sensibilidade de células do sistema nervoso presentes no ovário à exposição a esses compostos.

Por enquanto, a pesquisa ainda não foi confirmada por outros estudos e as restrições ao uso do DEHP variam globalmente, com foco principal em brinquedos infantis. No entanto, há uma preocupação crescente sobre o uso de materiais que contêm essa substância em equipamentos médicos, embalagens de alimentos e produtos de uso cotidiano. O debate inclui a necessidade de comprovação de danos concretos à saúde, que poderia levar a uma maior regulação do plástico, especialmente em produtos ligados à saúde reprodutiva.

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O que sabemos?

  • Estudo sugere que químico comum em plásticos pode afetar células do ovário humano.
  • A substância, o DEHP, é convertida em MEHP no corpo, podendo alterar funções hormonais.
  • Pesquisadores analisaram tecido ovariano de sete doadores, incluindo pessoas que passaram por cirurgia de afirmação de gênero.
  • Dados indicam que várias células do ovário, incluindo células do sistema nervoso, podem ser sensíveis à exposição ao MEHP.
  • A pesquisa ainda não foi confirmada por outros estudos e há debates sobre regulamentação do uso do DEHP.

Fontes

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