Primeira pessoa no Brasil a receber tratamento experimental contra HIV com doses a cada quatro meses
Mulher trans inicia nova fase de tratamento que promete maior conveniência para quem vive com HIV
Pisci Bruja, 37 anos, se tornou a primeira brasileira a receber uma dose de tratamento anti-HIV de longa duração, administrada trimestralmente, em estudo clínico internacional.
Uma mulher trans de 37 anos marcou um avanço importante na luta contra o HIV no Brasil ao se tornar a primeira pessoa do país a receber uma dose experimental de um tratamento de longa duração para HIV, com aplicação a cada quatro meses. Desde que foi diagnosticada com o vírus há 13 anos, Pisci Bruja vinha tomando diariamente medicamentos antirretrovirais para controlar a doença. Sua última pílula foi em 21 de setembro, marcando o fim de uma fase e o início de uma nova, que visa testar a eficácia de um tratamento injetável de ultralonga duração.
Segundo informações de uma fonte ligada a um estudo clínico global da farmacêutica GSK, o projeto testa a combinação de dois antirretrovirais injetáveis, o cabotegravir e a rilpivirina. A pesquisa compara o esquema atual de aplicação a cada dois meses, utilizado em países como Canadá, União Europeia, Austrália e Estados Unidos, com uma nova modalidade que permite intervalos de até quatro meses entre as doses. Ainda não há confirmação oficial se o Brasil adotará esse método de forma definitiva, mas o objetivo do estudo é avaliar a eficácia e a segurança de ampliar o período entre as aplicações, possibilitando que os pacientes compareçam ao serviço de saúde apenas seis vezes por ano.
Pisci, que também é antropóloga, doutoranda em saúde pública na Universidade de São Paulo e ativista pelos direitos de pessoas que vivem com HIV, comentou sua experiência ao receber a dose experimental. "Foi muito simbólico ter sido o último comprimido para, no dia seguinte, começar o novo tratamento. Guardei a minha caixinha de remédio de recordação, mas pensei 'que bom'. Tomar remédio todo dia é chato", afirmou. Ela ressaltou ainda o potencial benefício do novo esquema para quem precisa de maior conveniência na rotina de tratamento.
A pesquisa da GSK ainda está em fase de testes e, segundo informações da mesma fonte, a implementação da nova modalidade de dose a cada quatro meses depende de resultados adicionais sobre a segurança e a eficácia do tratamento. Se aprovado, o método deve reduzir a frequência de visitas ao centro de saúde, o que pode melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida de quem vive com o vírus, além de facilitar a luta contra a estigmatização relacionada ao HIV.
Por ora, é importante destacar que essa inovação ainda não é uma realidade no Brasil e que a iniciativa é parte de um estudo em andamento, com a expectativa de que, futuramente, ajude a ampliar as opções de tratamento para os pacientes. A própria participante expressou otimismo com a possibilidade de menos remédios diários, algo que ela considera um avanço importante em sua rotina e na autonomia de quem vive com HIV.
O que sabemos?
- Pisci Bruja, 37 anos, é a primeira pessoa no Brasil a receber a dose experimental de tratamento de longa duração para HIV.
- O tratamento permite aplicações a cada quatro meses, substituindo a rotina diária de comprimidos.
- O estudo clínico global é conduzido pela farmacêutica GSK e avalia a eficácia e a segurança dessa nova modalidade.
- A pesquisa compara o esquema de aplicação a cada dois meses com o novo de quatro meses, já aprovado em alguns países.
- O objetivo é verificar se o tratamento de quatro meses é eficaz e seguro para eventual adoção no Brasil.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





