Saúde

Estudo revela biomarcadores no sangue que podem prever resposta à imunoterapia contra melanoma

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Pesquisa do Hospital de Amor identifica sinais de inflamação capazes de antecipar o sucesso do tratamento

Imagem ilustrativa de sangue e células imunológicas ao microscópio
Imagem: Agência FAPESP

Pesquisadores do Hospital de Amor encontraram indicadores sanguíneos que podem ajudar a personalizar a terapia para pacientes com melanoma avançado, uma das formas mais agressivas de câncer de pele

Um estudo recente realizado pelo Hospital de Amor, no Brasil, trouxe uma possível inovação no tratamento do melanoma avançado. Segundo a pesquisa, publicada na revista Clinical and Translational Oncology e divulgada pela Agência FAPESP, foi identificado um conjunto de biomarcadores presentes no sangue que podem prever, antes mesmo da primeira aplicação da imunoterapia, se o paciente terá resposta positiva ao procedimento. Esse avanço é considerado um passo importante na personalização do tratamento, ajudando a evitar tratamentos desnecessários e otimizando recursos, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a pesquisa, o melanoma, embora represente menos de 4% dos tumores malignos de pele, é o mais letal devido à sua alta capacidade de metastização, ou seja, de se espalhar para outros órgãos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, no triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar aproximadamente 9.360 novos casos anuais da doença, com cerca de 2 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Apesar de o diagnóstico precoce elevar a taxa de sobrevivência para mais de 90% em cinco anos, a chance cai para apenas 35% nesses casos que já apresentam metástase, o que reforça a urgência por tratamentos cada vez mais eficazes.

Na prática clínica, a imunoterapia revolucionou o combate ao melanoma avançado, ao estimular o próprio organismo a reagir contra o tumor, ativando o sistema imunológico e bloqueando certos mecanismos que impedem essa resposta natural. Ainda assim, segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Lidia Rebolho Arantes, do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular do Hospital de Amor, não existia até agora um biomarcador confiável que pudesse indicar, de forma antecipada, qual paciente responderia ao tratamento. A nova investigação, apoiada pela FAPESP, analisou 136 pacientes tratados entre 2016 e 2024 pelo SUS, utilizando exames de sangue feitos antes do início da imunoterapia.

Durante esses exames, os pesquisadores observaram a contagem de células sanguíneas e os níveis de citocinas, proteínas responsáveis pela comunicação entre as células do sistema imunológico. Esses sinais permitiram detectar se o organismo já estava preparado para uma resposta eficaz contra o tumor antes mesmo de a terapia começar. A combinação de inflamação e fatores genéticos do tumor parece ser a chave para compreender por que alguns pacientes se beneficiam mais do tratamento do que outros. Ainda não há confirmação oficial de que essa abordagem será adotada rotineiramente, e o próprio estudo ressalta a necessidade de mais pesquisas para validar esses biomarcadores.

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O que sabemos?

  • Estudo identifica sinais de inflamação no sangue que podem prever resposta à imunoterapia contra melanoma.
  • Pesquisa analisou 136 pacientes tratados pelo SUS com melanoma avançado ou metastático.
  • Exames de sangue feitos antes do tratamento indicam a capacidade de antecipar resultados.
  • Dados sugerem que sinais de inflamação e aspectos genéticos do tumor influenciam o sucesso da terapia.

Fontes

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