Saúde

Paciente com câncer ocular raro busca acesso a tratamento experimental em corrida contra o tempo

Em apuração ?

Mulher de 59 anos enfrenta recusa de farmácia de medicamentos em teste para tratar tumor avançado

Imagem: G1

Ziara Abud, diagnosticada com melanoma uveal, luta por acesso ao darovasertib, terapia promissora ainda em estudo, após sair do padrão de tratamentos tradicionais.

Segundo informações obtidas pelo portal, Ziara Abud, uma ex-advogada de 59 anos, enfrenta uma batalha difícil contra um câncer raro no olho, o melanoma uveal, que evoluiu de forma agressiva após o diagnóstico em janeiro de 2020. A doença, que atinge cerca de 5 pessoas a cada milhão, é pouco comum, mas ela conseguiu avançar para o fígado, pulmões, cérebro, ossos e uma região próxima ao coração, o que torna seu prognóstico bastante desafiador. Ziara, que trabalhou na fundação de uma empresa vendida para uma multinacional americana em 2013 e se aposentou precocemente, sempre sonhou em aproveitar a vida ao máximo, realizando atividades como saltar de paraquedas — esporte que chegou a competir pelo Brasil e conquistou recordes.

O momento crítico da sua luta começou após uma viagem à Indonésia, em 2019, quando percebeu que a visão de um dos olhos estava embaçada. Após uma consulta oftalmológica em fevereiro daquele ano, ela achou que fosse uma simples catarata, mas o quadro se agravou rapidamente e, em janeiro de 2020, recebeu o diagnóstico: um tumor dentro do olho, característico do melanoma uveal. Ainda segundo fontes, o tumor já estava grande, havia causado glaucoma e comprometido sua visão, uma situação bastante comum em casos avançados dessa doença rara.

Desde então, Ziara passou por diversas cirurgias e tratamentos, mas o câncer continuou evoluindo, levando a uma disseminação por diferentes órgãos. Atualmente, seu tratamento tenta uma combinação do darovasertib — uma terapia-alvo em comprimido que, em estudos, demonstrou resultados promissores contra esse tipo de tumor — com o crizotinibe, remédio já utilizado contra outros cânceres. Essa combinação, contudo, ainda está em fase de estudo e não foi aprovada oficialmente para esse uso. Para conseguir acesso ao darovasertib, ela recorreu ao mecanismo conhecido como uso compassivo, que permite que medicamentos em fase experimental sejam distribuídos gratuitamente a pacientes que não têm mais opções de tratamento padrão. A decisão, porém, cabe às empresas farmacêuticas, e, no caso de Ziara, a resposta foi negativa, uma situação que gera dúvidas sobre os critérios utilizados pelas farmacêuticas para liberar esses medicamentos ainda em testes.

Especialistas ouvido pelo portal explicam que o não fornecimento do remédio pode estar relacionado a vários fatores: ela não se encaixa nos critérios do estudo clínico, a eficácia da combinação ainda precisa ser comprovada, além de considerações financeiras por parte das empresas envolvidas. A questão do acesso a tratamentos experimentais em cânceres raros costuma gerar debates, especialmente quando as alternativas convencionais já se esgotaram, como é o caso de Ziara. Ainda não há uma previsão de quando ou se ela poderá receber o remédio, uma preocupação compartilhada por quem acompanha sua história, que vive com a esperança de uma resposta que possa prolongar sua vida.

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O que sabemos?

  • Ziara Abud foi diagnosticada com melanoma uveal em janeiro de 2020
  • Ela possui 59 anos e tem um histórico de sucesso na advocacia e esportes extremos
  • O tumor avançou para órgãos como fígado, pulmões, cérebro, ossos e próximo ao coração
  • Ela tentou acesso ao darovasertib por uso compassivo, mas teve recusa da empresa farmacêutica
  • O tratamento experimental ainda está em fase de estudo e não aprovado oficialmente

Fontes

  • G1 imprensa
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