Recaída e risco: história de um coração e o aumento da obesidade no Brasil
Estudo aponta que excesso de peso é agora o principal fator de risco à saúde do brasileiro
Martino Galliano, que enfrentou problemas cardíacos e perda de peso, exemplifica o crescimento do impacto da obesidade na saúde do Brasil. Pesquisa recente destaca o IMC como maior fator de risco para mortes precoces em 2023, superando a pressão alta.
O excesso de peso deixou de ser uma preocupação secundária na saúde do brasileiro para se tornar o principal fator de risco à vida, segundo uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas e divulgada por fontes ligadas ao estudo. Essa mudança na dinâmica dos fatores de risco reflete uma realidade alarmante: enquanto avanços em doenças cardiovasculares, como infartos e AVC, reduziram suas taxas, o peso e a glicose elevada continuam em ascensão, ameaçando o progresso na longevidade da população.
Um exemplo vivo dessa crise é a história de Martino Galliano, hoje com 57 anos e aposentado, que já enfrentou uma grave obstrução em uma de suas artérias coronárias. Segundo relatos de profissionais, em 2013, um teste ergométrico de rotina revelou uma artéria do tronco da coronária esquerda com 98% de obstrução, uma condição que poderia ter sido fatal se não tivesse sido tratada a tempo. Naquele momento, Martino pesava aproximadamente 130kg, e mesmo sem sintomas aparentes, enfrentou uma cirurgia que desobstruiu a artéria, além de perder cerca de 80kg durante sua reabilitação. Contudo, o que se esperava ser uma melhora duradoura foi frustrado por uma recaída: anos depois, a obesidade voltou a se acentuar, e ele sofreu um infarto, episódio que reforça a complexidade do combate à obesidade, considerada uma condição de risco crônico.
De acordo com o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a recuperação de Martino - embora discutível - não caracteriza uma falha pessoal, mas sim um padrão esperado diante de doenças crônicas. “A obesidade não tem cura, ela tem controle. O organismo guarda a memória do maior peso e trabalha o tempo todo para recuperá-lo”, afirma Mattar. Ainda segundo fontes ligadas ao estudo e ao cenário médico, o excesso de peso é associado a uma série de fatores de risco muitas vezes subestimados. Entre 70% e 75% das pessoas com obesidade também são hipertensas, um dado que reforça a forte ligação entre esses fatores.
Outro ponto preocupante é que muitas pessoas com problemas de resistência à insulina ou diabetes têm menor sensibilidade à dor, o que faz com que doenças silenciosas avancem sem sintomas evidentes. Como no caso de Martino, que, ao realizar um cateterismo após o teste alterado, foi surpreendido pela gravidade do quadro: uma lesão importante no tronco da coronária, que quase lhe custou a vida. Ainda não há confirmação oficial se a história do ex-vereador ou de outras pessoas com casos similares é amplamente representativa, mas estudiosos alertam que a combinação de fatores – peso, hipertensão e glicose alta – amplia significativamente o risco de infarto fatal, muitas vezes sem sinais prévios claros.
O que sabemos?
- Estudo revela que o IMC é o principal fator de risco à saúde do brasileiro em 2023, superando a pressão alta.
- Martino Galliano, paciente com histórico de problemas cardíacos, sofreu um infarto após anos de recuperação e recaída de peso.
- Em 2013, Martino teve uma obstrução de 98% na artéria do coração, tratada com cirurgia.
- A obesidade está fortemente ligada a hipertensão, com cerca de 70% a 75% das pessoas com obesidade hipertensas.
- Pesquisas mostram que o controle da hipertensão e a redução do tabagismo contribuíram para o aumento da expectativa de vida, enquanto o peso e a glicose permanecem altos.
Fontes
- G1 imprensa





