Estudo com pesquisa inovadora aponta potencial do uso de remédio contra parasitas para tratar endometriose
Experimento em camundongos demonstra efeito inicial do niclosamida direcionado por uma nova tecnologia
Pesquisadores descobriram que uma versão do remédio utilizado para eliminar parasitas intestinais pode ajudar a reduzir os sintomas da endometriose, uma doença que afeta muitas mulheres.
Uma pesquisa recente, divulgada pela revista Advanced Healthcare Materials, revelou que uma droga comum no combate a parasitas intestinais, a niclosamida, pode ter efeito promissor no tratamento da endometriose, uma condição que causa dor crônica e outros problemas de saúde em mulheres. Segundo a fonte, o estudo foi realizado em modelos animais, especificamente em camundongos, e utilizou uma inovação tecnológica que permite direcionar o medicamento às células envolvidas na doença.
De acordo com a fonte, a endometriose ocorre quando tecido semelhante ao revestimento do útero se desenvolve fora dele, formando lesões que causam inflamação, dores fortes na região pélvica, períodos dolorosos e dificuldades de fertilidade. Essa é uma doença considerada crônica, que afeta aproximadamente uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva, e que ainda não possui cura definitiva. Os tratamentos atuais envolvem terapia hormonal e cirurgia, mas os sintomas muitas vezes retornam com o tempo, além de possíveis efeitos colaterais.
Pesquisadores liderados por uma professora de biologia reprodutiva nos Estados Unidos explicam que uma das estratégias para melhorar o tratamento foi focar nas células imunológicas chamadas macrófagos. Estudos anteriores indicaram que esses células podem liberar sinais inflamatórios e fatores que estimulam o crescimento anormal de tecido nas lesões de endometriose, especialmente aquelas que apresentam uma proteína na superfície, chamada recepteur de folato beta (FRβ). Essa proteína serviu de alvo para o desenvolvimento de um sistema de entrega do medicamento.
Os cientistas criaram uma estrutura molecular semelhante a uma árvore, chamada dendrimero, que pode transportar a niclosamida até as células específicas. Essa estrutura foi dotada de ácido folico, que se liga à FRβ, possibilitando que o remédio alcance as células de interesse de forma mais eficaz, além de liberar o fármaco dentro delas. Como a niclosamida apresenta dificuldade de se dissolver na água, a nova tecnologia também visa facilitar sua absorção e reduzir efeitos colaterais.
Até o momento, a pesquisa, ainda em estágio pré-clínico, mostrou que a versão do medicamento ligada ao dendrimero conseguiu reduzir o crescimento de lesões de endometriose e aliviar a sensibilidade à dor em modelos de camundongos. Ainda não há confirmação de que esse método será eficaz em seres humanos, e o estudo aguarda validações adicionais e possíveis próximas fases de testes clínicos. O estudo, contudo, fortalece a esperança de uma alternativa mais direcionada e eficiente contra uma doença que ainda não possui cura definitiva, reforçando o potencial de usar remédios existentes de modo inovador para tratar condições crônicas.
O que sabemos?
- Uma droga contra parasitas foi adaptada para tratar endometriose
- Tecnologia direciona o remédio às células envolvidas na doença
- Resultados iniciais em camundongos mostraram redução nas lesões e dor
- Ainda não há confirmação de eficácia em humanos
- Estudo foi divulgado na revista Advanced Healthcare Materials
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada





