Mounjaro amplia indicações nos EUA e pode prevenir infarto e AVC
Antidiabético da Eli Lilly recebe aprovação para redução de eventos cardiovasculares graves
A FDA aprovou o uso do Mounjaro, medicamento para diabetes, também na prevenção de infarto e AVC, ação ainda sem aval no Brasil.
O medicamento Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e autorizado para o controle da glicose no diabetes tipo 2, recebeu nos Estados Unidos uma nova indicação que poderá beneficiar pacientes com risco cardiovascular. Segundo comunicado da empresa, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o uso do remédio também para reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Brasil, essa finalidade ainda depende de autorização específica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A decisão da FDA se baseou em um estudo comparativo entre o Mounjaro e outro antidiabético da Eli Lilly, o Trulicity, mais antigo no mercado. Conforme informado pela própria farmacêutica, a tirzepatida — substância ativa do Mounjaro — apresentou uma redução de 8% maior no risco cardiovascular grave em relação ao concorrente. Entre os eventos considerados na pesquisa estavam justamente infarto e AVC, condições que representam as principais causas de morte no mundo.
A tirzepatida é um medicamento inovador que atua em dois hormônios importantes para o controle do diabetes e do apetite: o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e o GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon). Segundo especialistas vinculados ao estudo, ao estimular esses receptores simultaneamente, o remédio promove a liberação de insulina em resposta à glicose elevada, retarda o esvaziamento gástrico e age no cérebro para aumentar a sensação de saciedade, característica que o diferencia de drogas como a semaglutida, que atua apenas sobre o GLP-1.
No mercado americano, a mesma molécula da tirzepatida é comercializada sob o nome Zepbound para o tratamento da obesidade, segundo a publicação Olhar Digital. A aprovação para usos variados desse tipo de medicamento mostra uma forte competição entre as principais farmacêuticas que atuam no segmento. Em 2024, a rival Novo Nordisk conquistou autorização da FDA para seu medicamento Wegovy, à base de semaglutida, para reduzir riscos cardiovasculares em adultos com sobrepeso ou obesidade associada a doenças do coração. No ano seguinte, a empresa liberou o Rybelsus, versão oral da semaglutida, para diminuir eventos cardiovasculares graves em pacientes com diabetes tipo 2.
Até o momento, a ampliação do uso do Mounjaro para prevenção cardiovascular ainda não está confirmada oficialmente por outras fontes além do Olhar Digital, e o posicionamento da Anvisa sobre futura aprovação no Brasil não foi divulgado. A possibilidade, no entanto, coloca o medicamento como promessa para tratar não apenas o diabetes, mas também suas complicações cardíacas, áreas que concentram enorme impacto na saúde pública.
O que sabemos?
- Mounjaro autorizado nos EUA para reduzir risco de eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto e AVC
- Estudo mostrou que tirzepatida reduz 8% mais o risco cardiovascular que Trulicity, outro medicamento da Eli Lilly
- Medicamento age nos receptores de dois hormônios, GIP e GLP-1, ao contrário de concorrentes que atuam apenas no GLP-1
- No Brasil, essa indicação para prevenção cardíaca ainda não foi aprovada pela Anvisa
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada




