Saúde

Estudos revelam impacto da cirurgia bariátrica na saúde muscular e óssea ao longo do tempo

Em apuração ?

Pesquisa indica que, além da perda de peso, há mudanças nos músculos e ossos dos pacientes anos após o procedimento

Gráfico ilustrando a relação entre perda de peso, massa muscular e saúde óssea após cirurgia bariátrica
Imagem: G1

Investigações no Hospital Universitário Pedro Ernesto mostram que a cirurgia bariátrica, enquanto melhora fatores metabólicos, também afeta massa muscular e saúde óssea, exigindo atenção multidisciplinar no acompanhamento dos pacientes.

Recentemente, estudos conduzidos pelo Serviço de Atendimento Integral ao Portador de Obesidade (SAI-Ob), do Hospital Universitário Pedro Ernesto, trazem uma nova perspectiva sobre os efeitos de longo prazo da cirurgia bariátrica, além dos resultados tradicionais de perda de peso. Segundo informações apuradas, a pesquisa busca entender como o organismo dos pacientes evolui anos após o procedimento, especialmente no que se refere à massa muscular, saúde óssea e qualidade de vida.

Os estudos destacam uma visão mais complexa sobre o sucesso do tratamento da obesidade. Embora seja comum que o objetivo inicial seja a redução do peso, pesquisadores ressaltam que o corpo humano passa por mudanças naturais e significativas com o envelhecimento, incluindo perdas de massa muscular, força, densidade óssea e capacidade funcional. Ainda segundo a equipe do HUPE, esses fatores podem influenciar bastante na autonomia e na saúde geral dos indivíduos ao longo do tempo.

Na pesquisa, foram avaliados 39 pacientes que passaram por cirurgia bariátrica, especificamente pelo procedimento de bypass gástrico em Y de Roux, entre dois e cinco anos após a operação. Esses pacientes tiveram seus resultados comparados com 21 pessoas com perfil semelhante em idade, sexo e índice de massa corporal (IMC), que não passaram por cirurgia. Segundo os dados, os pacientes operados apresentaram maior perda de peso e uma redução significativa na quantidade de gordura abdominal. Além disso, mostraram um perfil metabólico mais favorável, com menores níveis de pressão arterial, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol total, LDL e triglicerídeos, indicando melhora cardiovascular e metabólica. Contudo, um ponto que chamou atenção foi a perda de massa muscular: aproximadamente 30% do peso perdido correspondia à massa magra, ou seja, músculo.

Apesar dessa perda de massa e força muscular associada ao emagrecimento, os resultados não indicaram piora na capacidade funcional dos pacientes. Nas avaliações de força de preensão manual e desempenho diário, todos estavam dentro da normalidade para a sua faixa etária e sexo. Ainda assim, os autores alertam sobre a necessidade de monitorar não somente o peso, mas também a função muscular, que é fundamental para a autonomia e qualidade de vida dos indivíduos. Além da musculatura, os ossos também sofrem impacto com as mudanças promovidas pela cirurgia. De acordo com outro estudo divulgado recentemente na revista Obesity, alterações na absorção de nutrientes, no ambiente hormonal e na carga mecânica sobre o esqueleto podem influenciar o metabolismo ósseo, muitas vezes de forma silenciosa, sem sintomas aparentes, o que reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar.

Outro aspecto que os estudos destacam é o impacto psicológico e social. Embora os resultados clínicos em termos de peso e saúde metabólica sejam positivos, os pacientes operados tiveram resultados piores em diversos indicadores de qualidade de vida. Aspectos relacionados ao bem-estar psicológico, social e à percepção de saúde também merecem atenção, reforçando que o sucesso de uma intervenção cirúrgica não deve ser avaliado apenas pelos números na balança. Ainda não há, portanto, uma confirmação oficial ou ampla sobre esses resultados, e o próprio hospital não se pronunciou oficialmente até o momento. A expectativa é que novas pesquisas possam aprofundar essa compreensão e orientar melhorias no acompanhamento dos pacientes após a cirurgia bariátrica.

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O que sabemos?

  • Estudos indicam impacto na massa muscular e óssea após cirurgia bariátrica.
  • Perda de aproximadamente 30% da massa magra em até cinco anos.
  • Paciente operados apresentam melhor perfil metabólico, com redução da gordura abdominal e melhora nos indicadores cardiometabólicos.
  • Impacto na qualidade de vida pode ser negativo, mesmo com bons resultados clínicos.
  • Alterações no metabolismo ósseo e muscular podem ocorrer silenciosamente após a cirurgia.

Fontes

  • G1 imprensa
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