FDA aprova novo remédio para Parkinson com mecanismo inédito no cérebro
Tavapadon promissor pode melhorar mobilidade de pacientes, mas ainda está em fase inicial de análise
A agência reguladora dos EUA autorizou o uso do comprimido Juvmo, que age de forma diferente no cérebro para tratar a doença de Parkinson. No Brasil, o registro ainda não foi solicitado.
Na segunda-feira (28), a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, concedeu a aprovação do tavapadon, um novo comprimido destinado ao tratamento da doença de Parkinson em adultos. Comercializado sob o nome de Juvmo, pela farmacêutica AbbVie, o remédio apresenta uma inovação no modo de agir no cérebro das pessoas com a condição, que afeta mais de 11 milhões de indivíduos globalmente.
Segundo informações da própria FDA, o tavapadon deve chegar às farmácias americanas ainda em outubro, sendo tomado uma vez ao dia, seja isoladamente ou associado à levodopa — medicamento padrão para combater os sintomas da doença. O diferencial do novo remédio está na sua atuação: ele age em receptores diferentes daqueles utilizados pelos tratamentos tradicionais, o que, teoricamente, poderia oferecer melhor tolerância e menor incidência de efeitos colaterais.
De acordo com o que foi divulgado por uma fonte vinculada à aprovação, “pela primeira vez, estudos em humanos demonstraram que um remédio que atua sobre esses receptores tem efeito similar ao das drogas atuais na mobilidade”. Ainda assim, especialistas ressaltam que o ganho de movimento observado no estudo não deve ser considerado radicalmente superior ao que os tratamentos existentes já oferecem. Os testes indicaram que, após 26 semanas de uso, os pacientes que receberam o tavapadon tiveram uma melhora de aproximadamente 1,7 hora diária de boa mobilidade, em comparação às 0,6 hora do grupo que tomou placebo, uma diferença de 1,1 hora. Além disso, há uma redução de quase duas horas diárias na duração dos sintomas, o que representa o dobro do efeito do placebo.
Outro aspecto importante destacado é a esperança de que o novo remédio seja mais bem tolerado por pacientes, uma vez que sua atuação em receptores D1 e D5 — ligados ao início dos movimentos — pode evitar efeitos colaterais comuns com drogas que afetam os receptores D2 e D3, como sonolência, alucinações e comportamentos compulsivos. Ainda não há confirmação de que esses benefícios se consolidarão na prática clínica ou de que o tavapadon provocará menos efeitos adversos, pois estudos adicionais são necessários para essa validação.
Até o momento, não há previsão de registro do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre possíveis planos de introdução no mercado nacional. Assim, a expectativa dos especialistas é que o avanço signifique uma nova esperança para a melhoria na qualidade de vida de quem vive com Parkinson, embora ainda haja dúvidas sobre seu impacto real comparado às opções já disponíveis há décadas.
O que sabemos?
- A FDA aprovou o tavapadon para tratar Parkinson em adultos.
- O medicamento é vendido como Juvmo pela farmacêutica AbbVie.
- Ele atua em receptores diferentes dos medicamentos tradicionais, potencialmente com menos efeitos colaterais.
- Estudos indicam melhora de até 1,7 hora de mobilidade diária após 26 semanas de uso.
- No Brasil, ainda não há previsão de registro na Anvisa.
Fontes
- G1 imprensa




