Saúde

Estudo revela impacto do consumo excessivo de álcool na adolescência sobre o cérebro

Em apuração ?

Pesquisa da Unifesp mostra que os efeitos do binge drinking podem permanecer na vida adulta

Imagem: CNN Brasil

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo analisou como episódios de consumo excessivo de álcool na adolescência podem deixar marcas duradouras no cérebro, especialmente em áreas relacionadas ao controle de impulsos e tomada de decisões.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) trouxe evidências de que beber exageradamente na adolescência pode provocar mudanças duradouras no cérebro. Segundo a pesquisa, a fase da juventude é marcada por intensas transformações não só físicas, mas também cognitivas, com especial atenção para regiões cerebrais responsáveis pelo controle de impulsos, julgamento e avaliação de riscos, que ainda estão em desenvolvimento até os cerca de 25 anos.

A pesquisa foi conduzida em camundongos, onde foi observada a influência de episódios de consumo elevado de álcool, popularmente conhecido como binge drinking, em diferentes momentos da adolescência desses animais. Segundo a fonte, o binge drinking ocorre quando uma quantidade significativa de álcool é ingerida em pouco tempo, levando a um estado de intoxicação e tornando-se uma preocupação particular por afectar áreas do cérebro ainda em desenvolvimento.

Segundo Karina Possa Abrahão, professora da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo, esse consumo frequente e em grandes quantidades pode prejudicar habilidades como julgamento e autocontrole, especialmente durante a juventude, um período em que o córtex pré-frontal — responsável por funções essenciais como o domínio de comportamentos e avaliação de consequências — ainda está maturando. Ela destacou que o desenvolvimento dessa área cerebral pode continuar até por volta dos 25 anos.

O estudo revelou que, ao analisar os efeitos do álcool em diferentes fases da adolescência, os pesquisadores notaram alterações na tomada de decisão e na propensão ao risco na vida adulta dos camundongos expostos à bebida. Além disso, observaram que, no caso de fêmeas que receberam álcool no início da adolescência, houve um aumento no consumo da bebida quando adultas, indicando uma possível tendência ao alcoolismo mais tarde na vida. Ainda não há confirmação de que esses resultados sejam exatamente os mesmos em humanos, mas o estudo ajuda a entender como o consumo excessivo na juventude pode deixar marcas duradouras.

Apesar de a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos ser proibida no Brasil, dado o idoso de que 53,6% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram já ter experimentado álcool, conforme a pesquisa PeNSE 2024 do IBGE. Entre os jovens de 16 e 17 anos, esse índice cresce para 66,3%. Esses números reforçam a preocupação com o contato precoce com a bebida, sobretudo diante dos potenciais riscos ao desenvolvimento cerebral e ao comportamento.

Publicidade

O que sabemos?

  • A pesquisa foi feita em camundongos para entender os efeitos do álcool na adolescência.
  • O consumo excessivo na adolescência pode afetar áreas do cérebro relacionadas ao autocontrole e julgamento.
  • Na fase adulta, os camundongos expostos apresentaram maior consumo de álcool e dificuldades na tomada de decisão.
  • Dados do IBGE indicam que mais da metade dos adolescentes brasileiros já experimentaram álcool.
  • O desenvolvimento do córtex pré-frontal, responsável pelo controle dos impulsos, ainda ocorre até cerca de 25 anos de idade.

Fontes

Publicidade