Estudo revela prejuízos auditivos em crianças com microcefalia relacionada ao zika
Pesquisa da Unesp apontou dificuldades na audição e linguagem de pequenos afetados pela síndrome congênita do zika
Pesquisadores da Unesp identificaram prejuízos na audição e na linguagem de crianças que nasceram com microcefalia devido ao vírus zika. Os resultados reforçam a necessidade de acompanhamento especializado nesses casos.
Um estudo conduzido por docentes do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Marília, revelou que crianças com microcefalia decorrente da infecção pelo vírus zika apresentam prejuízos auditivos significativos, além de dificuldades no desenvolvimento da linguagem. Essa investigação, ainda não confirmada oficialmente por outras fontes e divulgada na revista Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, foi realizada na região Nordeste do Brasil e envolveu 20 crianças, sendo metade com microcefalia causada pelo zika e a outra metade como grupo controle.
Segundo a pesquisadora responsável, a professora Ana Cláudia Figueiredo Frizzo, “as consequências são graves em termos de desenvolvimento auditivo e linguístico”. Ela explicou que as crianças afetadas demonstram uma imaturidade e um padrão atípico nos componentes relacionados à discriminação auditiva, o que pode comprometer o reconhecimento das pistas sonoras ao longo do crescimento. A partir desses resultados, fica evidente que a aquisição de linguagem nessas crianças também pode ser prejudicada, pois ela depende não apenas da integridade do ouvido, mas também do funcionamento adequado das áreas cerebrais responsáveis por interpretar sons e diferenciar estímulos auditivos.
Os dados apontam que os riscos de dificuldades na percepção auditiva aumentam consideravelmente em crianças com microcefalia por zika, dificultando a formação de habilidades linguísticas essenciais para a comunicação. Os 20 participantes do estudo tinham idades médias próximas a dois anos, com 10 crianças apresentando microcefalia e os demais, um grupo controle, com idades ligeiramente superiores. Ainda que o estudo não seja conclusivo para todas as populações, ele reforça a importância de acompanhamento multidisciplinar precoce para crianças afetadas pela síndrome congênita do zika, que inclui atenção especializada em audiologia e fonoaudiologia.
Apesar de ainda não haver um consenso completo sobre os impactos do vírus nas diferentes áreas do desenvolvimento infantil, os resultados dessa pesquisa contribuem para ampliar o entendimento sobre as possíveis sequelas cerebrais e sensoriais provocadas pela infecção durante a gestação. Até o momento, a comunidade científica ainda aguarda confirmações adicionais e a divulgação de novas evidências para orientar melhor os cuidados e intervenções necessárias.
O que sabemos?
- Cerca de 1.600 crianças nasceram com microcefalia nos anos de 2015 e 2016, segundo o Ministério da Saúde.
- Estudo da Unesp investigou crianças na região Nordeste do Brasil.
- Foram avaliadas 20 crianças, sendo metade com microcefalia por zika.
- Resultados indicam prejuízos na audição e na linguagem dessas crianças.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





