Saúde

Mãe que enfrentou perdas cria rede de apoio para mulheres que passaram por luto gestacional

Em apuração ?

Tatiane Ferrari, de Paulínia, organiza encontros virtuais e luta por políticas públicas de humanização na perda de bebês

Tatiane Ferrari participando de encontro virtual de apoio às mães enlutadas
Imagem: G1

Após perder dois filhos, Tatiane Ferrari transformou sua dor em força e criou um espaço de acolhimento para outras mães. Lei federal reconhece mês do luto gestacional, reforçando a importância do apoio e do cuidado humanizado.

A vida de Tatiane Ferrari, terapeuta ocupacional de Paulínia (SP), mudou radicalmente após ela e o marido enfrentarem duas perdas durante a gestação, antes do nascimento dos gêmeos Leon e Gael, hoje com 5 anos. Segundo Tatiane, a primeira situação foi um aborto espontâneo no quarto mês de gravidez, enquanto a segunda envolveu um bebê com malformações genéticas que morreu 11 dias após o nascimento. Como forma de manter viva a memória dos filhos, o casal guarda lembranças, como as primeiras roupinhas, e Tatiane afirma que isso ajuda a concretizar o amor que sentiram por eles.

Inspirada por sua própria experiência, Tatiane resolveu criar uma rede de apoio para outras mães que passaram por perdas semelhantes. Ela organiza encontros virtuais mensais, onde as mulheres podem compartilhar suas histórias em um espaço seguro. Ainda segundo ela, o apoio de familiares e amigos é fundamental, mas nem sempre basta — muitas vezes, o mais importante é estar presente e respeitar o momento de dor de cada uma. "Você não precisa falar nada para acolher essa mãe. Muitas vezes, você tem que estar do lado e deixar ela chorar. A dor de um filho não passa, ela permanece. Na dúvida, esteja presente", declara.

Em 2025, foi promulgada uma lei federal que instituiu a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, definindo outubro como o mês dedicado à conscientização e ao apoio às famílias enlutadas. Segundo fontes, essa legislação prevê direitos às famílias em hospitais públicos e privados, incluindo acompanhamento psicológico, espaço para despedida, emissão de declarações e até a possibilidade de incluir o nome do bebê no registro civil. A psicóloga Juliana Moroni, do Instituto do Luto Parental, destaca que a forma como o hospital acolhe a família faz toda a diferença na maneira como ela enfrenta o luto. "O jeito como essa família é acolhida faz muita diferença para que ela consiga atravessar esse momento mais humanizada e tranquilo", explica.

Apesar do reconhecimento legal e do movimento de conscientização, ainda há quem destaque a importância do acolhimento emocional mais simples, como a presença de familiares e amigos, sem necessidade de palavras. Segundo Tatiane, muitas vezes, o maior gesto de apoio consiste em estar ao lado, permitindo que a mãe expresse sua dor. "Na dúvida, esteja presente", reforça ela, reforçando a necessidade de respeito e sensibilidade nesse processo doloroso. A história de Tatiane não apenas evidencia a importância do apoio emocional, mas também salienta que, apesar da dor, é possível encontrar felicidade e plenitude ao preservar a memória e buscar o acolhimento adequado.

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O que sabemos?

  • Tatiane Ferrari criou uma rede de apoio para mães que enfrentaram luto gestacional e neonatal.
  • Ela e o marido tiveram duas perdas antes de seus filhos gêmeos, que agora têm 5 anos.
  • Lei federal de 2025 institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, incluindo outubro como mês do luto.
  • A lei garante direitos como acompanhamento psicológico, espaço para despedida e emissão de declaração de natimorto.

Fontes

  • G1 imprensa
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