Estudo sugere que comprimidos de Wegovy podem impulsionar perda de peso de forma eficaz
Paciente troca aplicação injetável por pílula oral e continua emagrecendo, aponta pesquisa na Europa
Uma pesquisa apresentada em Milão revelou que pacientes que migraram de terapias injetáveis para a versão oral do Wegovy mantiveram a perda de peso, o que levanta possibilidades para o mercado de medicamentos contra a obesidade.
Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (30) durante o congresso da EASD (Associação Europeia para o Estudo do Diabetes) em Milão, pacientes que optaram por trocar as injeções do Wegovy por uma versão oral do medicamento continuaram a emagrecer. A novidade chamou a atenção de especialistas, pois o estudo apontou que, em média, esses pacientes perderam 4,1% do peso corporal ao longo de três meses após a mudança de terapia. O estudo foi conduzido com 194 participantes que estavam em tratamentos antiobesidade, incluindo o próprio Wegovy injetável e a tirzepatida Zepbound, da Eli Lilly. Os participantes, inicialmente pesando em média 100,5 kg, reduziram aproximadamente 4 kg após esse período, além de uma diminuição significativa na proporção de obesos clinicamente classificados — que caiu de 87,1% para 65,5%. Quase 41% desses pacientes eliminaram pelo menos 5% do peso corporal, destacando resultados promissores para a eficácia do comprimido oral.
De acordo com o estudo, há uma discussão sobre a preferência dos pacientes por formas de administração. Segundo Martin Holst Lange, diretor científico da farmacêutica responsável pelo Wegovy, a Novo Nordisk, “há muitas dúvidas sobre se as pessoas conseguem aderir ao tratamento com o comprimido. Será que realmente preferem o comprimido? Claramente, muitos pacientes obtêm resultados ainda melhores com ele do que com os medicamentos injetáveis, e considero esses dados bastante sólidos”. O estudo reforça a possibilidade de o comprimido ser uma alternativa mais acessível e fácil de usar, o que poderia melhorar a adesão ao tratamento contra a obesidade.
Apesar de o Wegovy em comprimidos ainda não estar disponível no Brasil — somente a versão injetável —, o avanço de sua eficácia na prática clínica é considerado um avanço importante para o mercado. A farmacêutica se destacou desde o lançamento do Wegovy injetável, em 2021, que impulsionou a valorização da empresa até ela se tornar a mais valiosa da Europa. Contudo, a Novo Nordisk enfrentou uma forte queda nas ações, que sofreram queda de mais de 70% a partir de seus picos, enquanto a Eli Lilly conquistou maior espaço com seu próprio medicamento para obesidade, a tirzepatida Zepbound, que também atua sobre o sistema hormonal de regulação do apetite.
Segundo dados apresentados pela própria Novo Nordisk, os tratamentos orais responderam por cerca de um terço das prescrições nos Estados Unidos desde seu lançamento, e a companhia vêm conquistando mais de 80% das novas prescrições de medicamentos orais contra a obesidade. O CEO da empresa, Mike Doustdar, afirmou à Reuters que os comprimidos poderão alcançar até metade do mercado global de medicamentos contra obesidade, que poderia movimentar até US$ 100 bilhões ao ano até o final da década — o equivalente a mais de R$ 520 bilhões. Os resultados obtidos na pesquisa ainda dependem de informações fornecidas pelos próprios pacientes, o que pode influenciar a precisão das conclusões, além de não permitirem uma relação causa e efeito definitiva, como nos estudos controlados.
O Wegovy na forma oral já está disponível nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos, com planos de expansão para outros mercados nos próximos trimestres. Ainda não há confirmação oficial sobre sua chegada ao Brasil, embora a expectativa seja de que, se o produto for aprovado, possa mudar o panorama do tratamento contra a obesidade aqui também.
O que sabemos?
- Pacientes que trocaram canetas emagrecedoras pelo comprimido oral do Wegovy continuam emagrecendo.
- Estudo apresentou uma perda média de 4,1% do peso corporal em três meses após a troca de tratamento.
- A proporção de obesos clinicamente classificados caiu de 87,1% para 65,5%.
- O Wegovy em comprimidos não está disponível no Brasil, apenas na versão injetável.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




