Estudo revela aumento na quantidade de internações e produtividade em hospitais geridos por organizações sociais
Pesquisa aponta que gestão por OSS amplia acesso aos serviços de saúde, mas também eleva internações em São Paulo
Uma análise de 127 hospitais públicos de São Paulo mostra que a mudança de gestão para organizações sociais elevou o volume de atendimentos e a rotatividade de leitos. Os resultados sugerem maior eficiência, embora o impacto na saúde populacional ainda seja avaliado.
Segundo um estudo divulgado recentemente, a implementação de organizações sociais de saúde (OSS) na gestão de hospitais públicos de São Paulo resultou em um aumento expressivo no volume de internações e na produtividade dessas unidades. Conduzido por pesquisadores do Insper e da FGV/Eaesp, o levantamento analisou dados de 127 hospitais entre os anos de 2005 e 2022, buscando entender os efeitos dessa mudança de modelo administrativo.
De acordo com os autores, a transição da gestão direta para as OSS levou a um aumento de 40% no número de internações hospitalares. Esses aumentos ocorreram tanto em atendimentos clínicos e cirúrgicos quanto em tratamentos de urgência e eletivos, sugerindo uma ampliação do acesso aos serviços de saúde. Apesar do crescimento no volume de atendimentos, os pesquisadores destacam que isso não indica, necessariamente, uma piora na saúde da população, mas sim uma maior disponibilidade de cuidados.
Além do aumento nas internações, o estudo apontou que os hospitais administrados por OSS tiveram uma alta de 23% na rotatividade de leitos, o que indica uma maior circulação de pacientes nessas unidades. Ainda, observou-se um crescimento de 14% na taxa de ocupação dos leitos e uma redução de 9% no tempo médio de internação, o que pode sugerir uma maior eficiência no uso dos recursos hospitalares. Surpreendentemente, também foi registrada uma queda de 3% na mortalidade geral nos municípios que adotaram o modelo de gestão privada.
Segundo Luiz Felipe Fontes, pesquisador e professor de economia do Insper, o aumento no volume de atendimentos reflete um ganho de produtividade das unidades geridas por OSS. Ele afirmou: "Os hospitais geridos por OSS têm um aumento grande no volume de atendimentos. Esse maior volume de produção reflete um ganho de produtividade. Eles parecem conseguir usar melhor a capacidade instalada e são mais produtivos com os recursos existentes." A publicação do estudo foi feita no The Quarterly Journal of Economics e traz elementos que podem influenciar futuras políticas de saúde pública no Brasil.
Apesar do impacto positivo reportado na eficiência e no acesso, ainda não há consenso sobre os efeitos de longo prazo desse modelo de gestão na qualidade do cuidado ou na saúde geral da população. O estudo não abordou, até o momento, efeitos negativos ou possíveis desvantagens, e o próprio clube de pesquisadores deixou claro que esses números não indicam uma piora na saúde, mas sim uma maior abertura ao público. A gestão de recursos, portanto, continua sendo um tema de debate entre especialistas e gestores públicos, especialmente frente às mudanças no cenário de saúde do país.
O que sabemos?
- Aumentou em 40% as internações hospitalares após mudança para OSS
- Houve crescimento de 23% na rotatividade de leitos
- Taxa de ocupação cresceu 14%
- Tempo médio de internação caiu 9%
- Houve queda de 3% na mortalidade geral nos municípios com OSS
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





