Unicef alerta para impacto do El Niño na infância brasileira
Mais de 30 milhões de crianças podem ser atingidas por riscos climáticos ampliados pelo fenômeno, segundo estudo
Fundo das Nações Unidas aponta que o El Niño, considerado um dos mais fortes desde 1950, ameaça a saúde, educação e alimentação de crianças no Brasil. Especialistas reforçam a importância de preparação antecipada pelos governos.
Um estudo inédito do Unicef divulgado nesta quinta-feira (8) revela que mais de 30 milhões de crianças no Brasil estão sob risco de serem afetadas por dois ou mais riscos climáticos simultâneos, como secas, calor extremo, incêndios florestais, chuvas intensas e inundações. Segundo a análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância, esses eventos, potencializados pelo avanço do El Niño, podem causar impactos severos na saúde, nutrição, acesso à água, educação e proteção das crianças em diferentes regiões do país.
Segundo a fonte, o fenômeno, que aquece as águas do Pacífico e influencia o clima global, está previsto para ser um dos mais fortes desde 1950. A autoridade destaca que, ao contrário de desastres repentinos, o El Niño pode ser previsto com meses de antecedência, o que torna possível que os governos e o setor público se preparem para mitigar seus efeitos. Ainda assim, o estudo reforça que esperar que os serviços entrem em colapso para agir só aumentará os custos e a dificuldade de resposta, reforçando a necessidade de planejamento preventivo.
O impacto direto do El Niño de 2024 no Brasil foi sentido de norte a sul. No Rio Grande do Sul, as enchentes afetaram a educação de cerca de 741 mil estudantes. Já na região da Amazônia, a seca atingiu aproximadamente 436 mil pessoas, deixando comunidades sem acesso à água ou alimentos. Ao todo, o estudo aponta que 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas devido às condições climáticas adversas.
Para a análise do Unicef, esses dados representam uma amostra do que ocorre em uma escala global, onde cerca de 1,1 bilhão de crianças — quase metade das crianças do mundo — estão agora expostas a três ou mais riscos climáticos ao mesmo tempo. Ainda não há certeza se este ano o El Niño provocará impactos tão severos quanto os de 2024, mas os especialistas alertam para a necessidade de ações rápidas e eficazes para evitar uma piora do cenário, que pode afetar de forma duradoura a vida de milhões de menores.
O que sabemos?
- Mais de 30 milhões de crianças no Brasil estão expostas a riscos climáticos múltiplos.
- O estudo do Unicef aponta que o El Niño de 2024 pode ser um dos mais fortes desde 1950.
- Enchentes no Rio Grande do Sul afetaram aproximadamente 741 mil estudantes.
- Seca na Amazônia deixou cerca de 436 mil pessoas sem acesso à água ou comida.
- 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas por causa dos desastres climáticos.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- G1 imprensa




