OMS divulga orientações globais para o tratamento da obesidade infantil pela primeira vez
Recomendações vêm em meio ao aumento de casos de crianças e adolescentes com peso acima do recomendado
Pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu diretrizes específicas para lidar com a obesidade em menores de idade. Dados recentes apontam que um em cada três alunos de uma escola pública de Brasília está acima do peso, refletindo uma tendência global preocupante.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tornou público seu primeiro conjunto de orientações globais voltadas ao tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Segundo fontes da própria OMS, essas diretrizes visam orientar profissionais de saúde, famílias e governos na abordagem dessa condição, que vem crescendo de forma alarmante em todo o mundo. Segundo dados divulgados por uma fonte confiável, cento e setenta milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos estão acima do peso, sendo que essa proporção deve ultrapassar a desnutrição até 2027.
Na rotina de uma escola pública de Brasília, uma inspeção rápida na lancheira de uma estudante revelou uma mistura de alimentos ultraprocessados — como batata frita, frango empanado, pipoca, biscoito e suco de caixinha — com opções mais saudáveis, incluindo frutas, suco natural e bolinho caseiro. A Secretaria de Saúde da cidade confirmou que, no começo de 2026, foi feito um levantamento de peso em todas as escolas locais, e o resultado revelou que uma em cada três crianças apresentava peso acima do ideal para a faixa etária. Segundo a assistente administrativa Telma Márcia da Silva, mãe de uma dessas crianças, ela buscou ajuda de um nutricionista e comemorou melhorias na disposição e no crescimento da filha, dizendo: “Hoje, ela tem mais disposição para correr, para brincar. Como ela está em fase de crescimento, até isso a gente nota, que o crescimento da criança parece que se desenvolve mais”.
O documento da OMS deixa claro que, para crianças menores de 10 anos, medicamentos e cirurgias bariátricas não são recomendados, sendo recomendado um tratamento baseado em mudanças alimentares, atividades físicas e acompanhamento dos profissionais de saúde, com envolvimento da família. Para adolescentes de 10 a 19 anos, o uso de medicamentos só deve ser considerado em último caso, quando mudanças no estilo de vida falharem ou quando a obesidade gerar complicações severas. Ainda assim, o uso de canetas emagrecedoras, um método cada vez mais popular entre jovens, não é indicado na orientação oficial da OMS, que não especifica medicamentos específicos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o ambiente em que as crianças vivem é fundamental para prevenir a obesidade. Fabíola Suano, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da entidade, reforça que é importante oferecer um espaço que favoreça a alimentação saudável e a prática de atividades físicas, inclusive ao ar livre e em contato com a natureza. Ela destaca ainda a necessidade de reduzir o tempo que as crianças passam em frente às telas, contribuindo assim para uma vida mais equilibrada e menos sedentarismo.
O que sabemos?
- A OMS divulgou pela primeira vez orientações globais para o tratamento da obesidade infantil.
- Cerca de 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos estão acima do peso em todo o mundo.
- Em uma escola de Brasília, uma em cada três crianças tinha peso acima do recomendado em 2026.
- O tratamento para menor de 10 anos prioriza alimentação, atividade física e acompanhamento médico, sem uso de medicamentos ou cirurgia.
- Para adolescentes, medicamentos podem ser considerados, mas apenas em casos extremos, e a orientação não recomenda canetas emagrecedoras.
- A obesidade infantil deve ultrapassar a desnutrição até 2027, segundo projeções.
- Especialistas alertam para a importância de ambientes favoráveis à alimentação saudável e prática de atividade física.
Fontes
- G1 imprensa





