Estudo revela que jejum para exames de sangue pode não ser mais necessário
Pesquisa aponta que períodos de jejum prolongados não trazem benefícios clínicos e podem causar desconforto
Uma investigação na Coreia do Sul sugere que a prática de jejum de mais de 8 horas antes de exames de rotina deve ser reconsiderada, já que a maioria dos testes não sofre alterações significativas.
Um estudo recente, realizado por uma equipe de pesquisadores sul-coreanos e divulgado pela revista científica JAMA International Medicine, trouxe uma virada na rotina de exames laboratoriais de sangue. Segundo a pesquisa, o tradicional jejum de mais de 8 horas antes da coleta, por vezes considerado obrigatório pelos profissionais, pode ser desnecessário na maioria dos casos, oferecendo pouca ou nenhuma vantagem na obtenção de resultados confiáveis.
A investigação analisou dados de quase 101 mil pacientes atendidos em um hospital de Seul, coletando cerca de 9,8 milhões de resultados de exames entre fevereiro de 2021 e dezembro de 2023. Cada coleta tinha seu tempo de jejum registrado, permitindo aos pesquisadores dividir os exames em três grupos distintos: menos de 8 horas, entre 8 e 12 horas e mais de 12 horas sem se alimentar. Uma característica marcante do estudo foi acompanhar os mesmos pacientes em visitas distintas, com diferentes períodos de jejum, o que ajudou a identificar se a duração do jejum influenciava realmente os resultados dos testes.
Os resultados mostraram que, na maioria das análises de rotina, como hemogramas, níveis de sódio, potássio, ureia, creatinina, além da maioria das enzimas hepáticas e do colesterol total, as variações em relação ao tempo de jejum foram mínimas e dentro dos limites considerados aceitáveis pelo padrão internacional da Federação Europeia de Química Clínica e Medicina Laboratorial (EFLM). Apenas quatro exames tinham aumento relevante na coleta feita com menos de 8 horas de jejum: a bilirrubina total e a vitamina D mostraram elevações discretas após jejum prolongado acima de 12 horas.
Mais surpreendente ainda é que a comparação entre o jejum de 8 a 12 horas e o superior a 12 horas não revelou diferenças clinicamente relevantes para qualquer exame analisado. Ou seja, manter o paciente sem comer por mais de 12 horas não trouxe benefício na precisão diagnóstica, apenas causou desconforto e potencias prejuízos à rotina dos pacientes, que precisam ficar mais tempo sem se alimentar.
Diante desses resultados, os autores do estudo sugerem uma mudança na orientação clínica. Devem ser adotadas recomendações específicas por exame, com prioridade de pelo menos 8 horas de jejum para testes como glicose e triglicérides, mas sem a necessidade de imposições mais rígidas para os demais exames de rotina. Ainda não há confirmação oficial de mudanças nas diretrizes nacionais, e o estudo aguarda discussões adicionais na comunidade médica.
Por enquanto, a prática do jejum prolongado permanece comum, embora a pesquisa indique que ela pode ser desnecessária na maioria dos casos, contribuindo apenas para gerar desconforto e potencialmente atrasar procedimentos médicos. Essa mudança pode facilitar a rotina de pacientes e profissionais da saúde, evitando recomendações que não têm evidências científicas fortes para justificar sua aplicação.
O que sabemos?
- Estudo analisou quase 10 milhões de resultados de exames de sangue.
- Pesquisadores sugerem que jejum superior a 8 horas não é necessário na maioria dos exames.
- A pesquisa foi conduzida na Coreia do Sul, com pacientes atendidos entre 2021 e 2023.
- Para exames como glicose e triglicérides, o jejum de pelo menos 8 horas ainda é recomendado.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





