Estudo busca entender a experiência das mulheres no parto no Brasil
Pesquisa internacional investiga como as mulheres vivem o nascimento, analisando setores públicos e privados
Um grande estudo liderado pela USP pretende mapear as percepções de mulheres brasileiras sobre o parto, comparando os resultados com outros países. A iniciativa visa melhorar a assistência obstétrica, especialmente em relação às intervenções e à experiência emocional durante o nascimento.
Um estudo global sobre atenção obstétrica, nascimento e saúde materna está em andamento no Brasil, buscando compreender como as mulheres vivenciam o momento do parto em diferentes contextos do país. Liderado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP e apoiado por instituições como a Fapesp e o CNPq, o projeto quer coletar relatos de mulheres que tiveram filhos recentemente, independentemente do tempo decorrido desde o parto. Segundo a pesquisadora responsável, a ideia é entender tanto os aspectos físicos quanto os emocionais do parto, especialmente levando em conta as diferenças entre o setor público e o privado.
O estudo é parte do Consórcio Internacional The Birth Experience Study (IC-BESt), que envolve 16 países de cinco continentes. Ainda segundo fontes da Universidade, o objetivo é estabelecer uma comparação entre as experiências das mulheres no Brasil e em outros países, ajudando a criar uma base de dados que possa orientar melhorias na assistência obstétrica. Para participar, as voluntárias devem preencher um questionário on-line, acessível por um link divulgado na pesquisa. A participação é voluntária, confidencial e aberta para todas as mulheres que já deram à luz, mesmo àquelas que enfrentaram complicações.
Entre os pontos de atenção do estudo estão as diferenças nos cuidados oferecidos pelo setor público e pelo setor privado, além da experiência de grupos específicos, como mulheres pretas, pardas, indígenas, mulheres acima do peso e aquelas com complicações clínicas, assim como homens trans. Essas particularidades serão exploradas por meio de questionários específicos, com a intenção de entender as particularidades da vivência no país. Fora do aspecto técnico, a pesquisa também considera o impacto emocional do parto, que pode variar de uma experiência positiva a uma traumática, dependendo do cuidado recebido.
Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, o estudo busca identificar fatores que possam contribuir para diminuir intervenções desnecessárias, como a cesariana precoce, e melhorar a experiência das mulheres durante o trabalho de parto. Apesar dos avanços na saúde materna brasileira nas últimas décadas, o uso frequente de intervenções não recomendadas e a alta taxa de cesariana permanecem como desafios, segundo uma fonte vinculada à pesquisa. A iniciativa é vista como uma oportunidade de agregar dados relevantes para a saúde pública e para a prática médica, promovendo uma atenção mais humanizada e respeitosa às mulheres. O tema tem recebido atenção crescente na comunidade científica, e há a esperança de que os resultados possam influenciar futuras políticas e melhores práticas de atendimento ao parto no Brasil.
O que sabemos?
- Estudo global liderado pela USP busca mapear experiências de parto no Brasil.
- Questionários estão disponíveis online para participação voluntária.
- Pesquisa compara experiências entre setores público e privado.
- Foco inclui grupos específicos como mulheres pretas, indígenas, e homens trans.
- Ainda não há confirmação oficial do impacto ou resultados finais do estudo.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial





