Saúde

Estudo finlandês aponta que alterações no ombro após os 40 anos podem não indicar doença

Em apuração ?

Exames de imagem frequentemente detectam alterações em adultos sem sintomas, alertam especialistas

Ilustração de ombro humano com destaque para tendões do manguito rotador
Imagem: UOL Notícias

Um estudo recente sugere que alterações na ressonância magnética do ombro em adultos com mais de 40 anos são comuns, muitas vezes sem relação com dor ou necessidade de tratamento.

Uma nova pesquisa feita na Finlândia traz uma reflexão importante para quem sofre de dor no ombro após os 40 anos. Segundo o estudo, publicado no Jama Internal Medicine e divulgado por fontes ainda não confirmadas oficialmente, quase todos os adultos entre 41 e 76 anos apresentam alguma alteração na ressonância magnética do ombro, independentemente de sentirem dor ou não. Essa alta incidência de alterações, como desgaste dos tendões e rupturas parciais, levanta perguntas sobre o uso excessivo de exames de imagem para diagnosticar problemas nesta região.

Conforme explicado pelo ortopedista Marcos Pimentel, do Hospital Ortopédico da Bahia, o manguito rotador — conjunto de quatro tendões essenciais para a movimentação e estabilidade do ombro — sofre degeneração natural com o envelhecimento."Depois dos 40 anos, é comum que esses tendões apresentem alterações degenerativas devido ao processo natural de envelhecimento", afirma Pimentel. Ele enfatiza que, na maior parte dos casos, esses achados não representam uma doença ativa. Ainda assim, o estudo aponta que muitas vezes esses exames levam a diagnósticos e tratamentos desnecessários, gerando um risco de intervenções que poderiam ser evitadas com uma avaliação clínica mais cuidadosa.

De acordo com os pesquisadores, as alterações frequentemente encontradas, como desgastes e rupturas parciais, aparecem também em pessoas sem dor ou desconforto, o que reforça a necessidade de interpretar os exames com cautela. Para o especialista, o diagnóstico de problemas no ombro deve começar sempre pela avaliação clínica, com uma conversa detalhada e exame físico. Os exames de imagem só devem ser utilizados como complemento, e não como única ferramenta na decisão de tratar ou não uma alteração detectada.

O estudo também critica o uso excessivo de exames de ressonância magnética na investigação de dores no ombro sem trauma específico, uma prática comum que pode levar a diagnósticos equivocados. Segundo Marcos Pimentel, "hoje há uma grande quantidade de pedidos de ressonâncias, muitas vezes sem necessidade real, o que aumenta a possibilidade de tratamentos desnecessários". Ainda não há informações concretas se esses excessos de exames resultam em procedimentos invasivos ou no início de tratamentos que não seriam indicados se o quadro clínico fosse melhor avaliado.

Por fim, os autores sugerem que o uso racional de exames e uma abordagem clínica adequada são essenciais para evitar diagnósticos e tratamentos injustificados, além de diminuir riscos à saúde do paciente e evitar gastos desnecessários no sistema de saúde. Como ressaltado pelo especialista, a degeneração natural do tecido tende a acontecer com o envelhecimento, sem que isso signifique uma doença ativa que exiga intervenção imediata. Assim, o alerta é para uma análise cuidadosa antes de recorrer a procedimentos como ressonância magnética para resolver dores no ombro após os 40 anos.

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O que sabemos?

  • Grande maioria dos adultos com mais de 40 anos apresenta alterações no exame de imagem do ombro, mesmo sem sentir dor.
  • Alterações comuns incluem desgaste dos tendões e rupturas parciais.
  • Exames de imagem muitas vezes conduzem a tratamentos desnecessários.
  • A avaliação clínica deve preceder exames de imagem na investigação de dores no ombro.

Fontes

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