Controvérsia no embarque de medicamentos de Cannabis entre EUA e Brasil
Companhias aéreas impedem transporte de produtos autorizados pela Anvisa mesmo após mudanças na legislação americana sobre THC
Latam e American Airlines bloqueiam envio de medicamentos de Cannabis dos EUA para o Brasil, apesar de autorização da Anvisa e alterações nas regras de THC nos Estados Unidos. Entenda o que está por trás dessa situação.
Recentemente, um impasse tem causado preocupação entre empresários brasileiros que importam medicamentos de Cannabis importados dos Estados Unidos. Segundo fontes próximas às negociações, as companhias aéreas Latam e American Airlines estão barrando o embarque desses produtos em voos que partem dos EUA com destino ao Brasil, mesmo possuindo autorização da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – para circulação desse tipo de medicamento no país. O conflito reflete uma complexidade envolvendo as regulamentações de dois países diferentes, especialmente no que diz respeito ao teor de THC, o princípio ativo da Cannabis responsável pelos efeitos psicoativos. Para quem acompanha o assunto, o THC é regulado de forma diferente nos Estados Unidos e no Brasil, o que tem criado obstáculos na importação de produtos à base de Cannabis. Segundo informações obtidas com empresários brasileiros, esses medicamentos, muitas vezes compostos por CBD, o canabidiol, e ocasionalmente contendo THC, são utilizados em tratamentos de diversas doenças, como epilepsia refratária, Alzheimer, dores crônicas e distúrbios do sono. Apesar de serem permitidos no Brasil, a dificuldade para o transporte vem da interpretação das regulamentações americanas, que recentemente mudaram suas regras referentes ao limite de THC permitido. A antiga legislação, conhecida como Farm Bill, permitia uma concentração máxima de 0,3% de Delta-9-THC – o composto mais potente da Cannabis. No entanto, a partir de novembro, essa regra passou a estabelecer um limite de 0,4 miligramas do princípio ativo, o que tecnicamente reduz a quantidade permitida e já gerou questionamentos sobre a conformidade dos produtos importados. Ainda não há uma confirmação oficial de que essa mudança seja a causa definitiva do bloqueio das companhias aéreas, mas essa alteração na legislação americana parece influenciar na análise de conformidade de órgãos reguladores e das próprias companhias de transporte. A situação traz dúvidas sobre a harmonização das regulamentações internacionais e os critérios de fiscalização, que parecem estar em conflito na prática: enquanto a Anvisa autoriza, as companhias aéreas impedem o embarque, o que pode impactar quem depende desses medicamentos no Brasil. Ainda não há uma posição oficial das empresas aéreas ou de órgãos reguladores para esclarecer a questão, e o que se sabe é que atualmente, o transporte de tais produtos permanece dificultado, mesmo com as mudanças na legislação norte-americana.
O que sabemos?
- Companhias aéreas Latam e American Airlines barram embarque de medicamentos de Cannabis dos EUA para o Brasil.
- Medicamentos utilizados em tratamentos de doenças como epilepsia, Alzheimer, dores crônicas e distúrbios do sono.
- Produtos compostos por CBD e, às vezes, THC, princípio ativo da Cannabis.
- Mudanças na legislação americana sobre o limite de THC, que passou de 0,3% para 0,4 mg do princípio ativo, a partir de novembro.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa


