Droga experimental promete queima de gordura sem perda muscular em ratos obesos
TOFA, composto testado na Universidade da Califórnia, mostrou resultados promissores ao aumentar gasto energético sem reduzir apetite ou atividade física
Pesquisadores da UC Berkeley administraram TOFA em camundongos obesos, que perderam 18% do peso corporal principalmente por gordura, mantendo massa magra e sem aumento de temperatura corporal ou mudanças na alimentação.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley levantou expectativas ao apresentar um composto experimental chamado TOFA (5-tetradecyloxy-2-furoic acid), capaz de induzir a queima de gordura em camundongos obesos sem que houvesse perda de massa muscular ou redução no consumo alimentar. Segundo o biólogo metabólico Anders Näär, autor sênior do estudo, os ratos perderam em média 18% do peso corporal mesmo sem alterar a ingestão de alimentos, a atividade física ou a temperatura corporal.
O experimento consistiu em alimentar camundongos machos com dieta rica em gordura por sete semanas, até que desenvolvessem obesidade. Após esse período, os animais receberam o composto TOFA via oral duas vezes ao dia durante quatro semanas. Os resultados mostraram que o gasto energético total aumentou em até 18%, com a maior parte da perda de peso atribuída à gordura acumulada. Exatamente por preservar tecidos magros como a massa muscular, o TOFA se destaca frente a outros tratamentos e dietas que frequentemente causam perda muscular indesejada.
O mecanismo de ação do TOFA atua de forma dupla: o composto inibe as enzimas ACC1 e ACC2, que são responsáveis pela produção de gordura no organismo, enquanto simultaneamente ativa os receptores PPARα e PPARδ, estimulando genes que captam e queimam gordura para gerar energia. Anders Näär destacou que o TOFA não se limita a bloquear a síntese de lipídios, mas engaja uma resposta metabólica coordenada, o que pode explicar a ausência de efeitos colaterais comuns a drogas similares.
Diferentemente de inibidores anteriores dessas enzimas ACC que elevaram os níveis de triglicerídeos no sangue — o que representa um risco cardiovascular significativo —, o TOFA não apresentou essa elevação nos camundongos testados, um aspecto considerado de grande importância para a segurança do potencial tratamento. Contudo, até o momento, as informações sobre este estudo foram divulgadas apenas pela Olhar Digital, e outras fontes ou confirmações oficiais ainda são aguardadas.
Se confirmados em estudos clínicos futuros, esses resultados sugerem que o TOFA poderia abrir caminhos para tratamentos mais eficazes contra a obesidade, sem os efeitos colaterais associados às terapias atuais, como a perda muscular e os riscos cardiovasculares. Por enquanto, a pesquisa permanece em estágio pré-clínico, com testes em camundongos, e ainda não há indicação de quando ou se o composto estará disponível para uso humano.
O que sabemos?
- TOFA fez camundongos obesos perderem 18% do peso corporal sem reduzir apetite ou atividade física
- O composto inibe enzimas ACC1 e ACC2 e ativa receptores PPARα e PPARδ, estimulando queima de gordura
- Diferente de drogas similares, TOFA não elevou triglicerídeos no sangue dos animais testados
- Estudo conduzido pela UC Berkeley e divulgado pelo Olhar Digital; aguardam-se outras fontes
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





