Início de testes de vacina contra o Ebola na República Democrática do Congo levanta esperança e dúvidas
País africano tenta usar imunizante desenvolvido para uma cepa diferente do vírus que provoca a epidemia mais letal da história
A República Democrática do Congo começou neste sábado uma campanha de vacinação no epicentro da epidemia de Ebola, que ainda não tem cura confirmada para a cepa atual. A iniciativa busca avaliar a eficácia de uma vacina contra uma cepa diferente do vírus circulante.
Neste sábado, a República Democrática do Congo (RDC) deu início a uma nova etapa na luta contra a epidemia de Ebola ao lançar uma campanha de vacinação no epicentro do surto, buscando testar a eficácia de um imunizante pouco conhecido. Segundo informações divulgadas pelo próprio governo do país, a iniciativa tem como objetivo avaliar se a vacina pode oferecer alguma proteção contra a cepa Bundibugyo, responsável pela atual epidemia que já causou 3.639 mortes e infectou 7.541 pessoas, conforme dados do Instituto Nacional de Saúde Pública.
O vírus que circula atualmente na RDC pertence à cepa Bundibugyo, uma variedade diferente da cepa Zaire, para a qual existe uma vacina aprovada e disponível, chamada Ervebo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que está conduzindo estudos para verificar se essa remediação pode ser eficaz contra a cepa em circulação na região. Ainda não há confirmação de que a vacina Ervebo, originalmente desenvolvida para combater a cepa Zaire, possa oferecer proteção contra o vírus Bundibugyo, embora existam expectativas de algum nível de proteção cruzada, conforme afirmou uma coordenadora de pesquisa da Médicos Sem Fronteiras.
Segundo um dos coordenadores da resposta sanitária do país, o professor Steve Ahuka, "essa vacina é eficaz contra a cepa Zaire, mas não sabemos em que porcentagem poderia ser eficaz contra a cepa Bundibugyo". Ainda não há um período definido, mas espera-se que os estudos durem entre nove e 12 meses, com o foco em 20.000 trabalhadores da linha de frente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, as mais afetadas pela epidemia.
O Ebola, uma febre hemorrágica transmitida por contato com fluidos corporais, já provocou mais de 15.000 mortes na África nos últimos 50 anos. A epidemia mais severa registrada na RDC deixou cerca de 2.300 mortes entre os 3.500 infectados de 2018 a 2020, de acordo com dados históricos. Especialistas ainda não confirmaram oficialmente se a vacinação será suficiente para conter o avanço do vírus ou se novas espécies da doença podem surgir. O país aguarda novas comprovações, enquanto enfrenta a divulgação de dúvidas sobre a eficiência de imunizantes desenvolvidos para outras cepas.
O que sabemos?
- A RDC iniciou testes de vacinação contra uma cepa diferente do vírus Ebola na epidemia atual.
- A epidemia provoca a cepa Bundibugyo, sem imunizante específico confirmado até o momento.
- A vacina Ervebo, disponível e aprovada, foi desenvolvida para combater a cepa Zaire.
- A resposta à epidemia envolve 20.000 trabalhadores na linha de frente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





