História de mãe solo que adotou bebê com síndromes gravou corações em Franca
Mulher de 57 anos relata desafios e momentos de esperança na rotina de cuidar de filho com necessidades especiais há 23 anos
Márcia Ferretto, de 57 anos, adotou Pedro, que tem síndrome alcoólica fetal e microcefalia, quando ainda era um bebê prematuro. Ela enfrenta anos de cuidados intensos e desafios emocionais, mas também celebra pequenas vitórias diariamente.
A história de Márcia Ferretto, de 57 anos, de Franca (SP), revela uma dedicação que atravessa mais de duas décadas, marcada por amor, desafios e esperança. Segundo ela, há 23 anos, sua vida mudou completamente após decidir adotar um bebê prematuro com diversas complicações, incluindo microcefalia e síndrome alcoólica fetal. Ressalta que, na época, trabalhava em uma multinacional e também atuava como voluntária, participando de ações de acolhimento de vítimas de maus-tratos, o que a motivou a seguir o caminho da adoção ao conhecer a história de Pedro, filho de uma dependente química que usava álcool e drogas durante a gestação.
Desde que o adotou, Márcia enfrenta uma rotina marcada por cuidados médicos, terapias de alto custo, medicamentos e obstáculos constantes. Pedro, que neste ano completa 23 anos, apresenta deficiência cognitiva e física severa, com aparência de uma criança de 10 anos, mas idade mental de apenas 5. Ele não fala, tem epilepsia, autismo severo, paralisia cerebral unilateral, atrofia cerebral e sofre episódios de agressividade, especialmente após perder sua rede de apoio há dois anos. Apesar de suas limitações, Pedro frequenta a escola e ajuda nas tarefas domésticas, buscando uma maior autonomia com o apoio da mãe.
Marcia explica que, além do esforço diário, ela enfrenta dificuldades financeiras. Atualmente, depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para arcar com as despesas do lar, e tenta se aposentar, mas relata que, devido às novas leis, ainda não conseguiu. Ela descreve a rotina como uma corrida contra o tempo: levar Pedro para a escola, cuidar da casa, preparar as refeições e ainda lidar com episódios de agressividade do filho, que exigem atenção constante. Em uma narrativa carregada de amor e cansaço, ela afirma: "Esse é o meu principal medo. Com quem que ele vai ficar? O que vai acontecer com ele? As pessoas terão a mesma paciência que eu tenho?"
Desde o nascimento, Pedro foi alvo de muitas batalhas. Ele é filho de uma mãe biológica que consumia álcool e drogas, e foi considerado um bebê prematuro com diagnósticos complexos, que exigiram terapias e medicações de alto custo. Para Márcia, cada sorriso, cada avanço, mesmo que pequeno, representa uma vitória. “Cada risada, cada viagem, cada momento de socialização é uma vitória para mim”, diz. Ela relembra que sua dedicação é impulsionada pelo amor incondicional que sente pelo filho, o que a mantém firme mesmo diante das dificuldades mais duras.
Sobre a condição do filho, os especialistas explicam que a síndrome alcoólica fetal é um distúrbio grave resultante do consumo de álcool durante a gravidez, afetando o desenvolvimento físico, mental e comportamental do bebê. Ainda assim, essa luta diária de Márcia não é apenas uma história de dificuldades, mas também de resistência e esperança, que evidencia o impacto que uma única decisão pode ter na vida de alguém por toda a vida. A história dela relembra as batalhas constantes de tantas famílias que cuidam de crianças com múltiplas síndromes e deficiências, muitas vezes enfrentando o esgotamento físico e emocional, mas sem perder a fé na transformação possível a cada nova conquista.
O que sabemos?
- Márcia Ferretto adotou Pedro há 23 anos.
- Pedro nasceu prematuro com microcefalia, síndrome alcoólica fetal, autismo severo, epilepsia, paralisia cerebral unilateral e atrofia cerebral.
- Ela atualmente depende do benefício de prestação continuada (BPC).
- Pedro tem aparência de 10 anos, idade mental de 5, e frequenta a escola.
- Márcia enfrentou a perda de rede de apoio há dois anos e cuida do filho sozinha há décadas.
Fontes
- G1 imprensa




