Saúde

Estudo revela que trabalhadores no Reino Unido muitas vezes trabalham doentes por fatores culturais e de identidade

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Gerações mais novas demonstram maior preocupação com o bem-estar, enquanto práticas antigas ainda prevalecem

Pessoa trabalhando no computador com expressão de cansaço.
Imagem: BBC News Brasil

Pesquisas indicam que entre um terço e metade dos trabalhadores no Reino Unido atuam mesmo quando estão doentes, prática conhecida como presenteísmo. As diferenças culturais entre gerações e fatores psicológicos influenciam essa conduta.

Uma análise recente, segundo uma fonte que preferiu não se identificar, revela que uma parcela significativa dos trabalhadores no Reino Unido continua atuando mesmo quando apresenta sintomas de doenças diversas. Entre um terço e metade dessas pessoas fazem isso, numa prática conhecida como presenteísmo, que, além de potencialmente agravar problemas de saúde, pode impactar a produtividade.

Segundo especialistas, essa postura não é apenas uma questão de cultura laboral, mas também de fatores emocionais e de identidade. Psicólogos organizacionais explicam que, para alguns profissionais, o trabalho está tão ligado à própria essência que faltar por motivo de saúde chega a gerar uma sensação de perda de uma parte de si mesmo. Essa ligação forte ao trabalho é definida como centralidade do trabalho, e pesquisas associam essa condição a um maior engajamento e comprometimento. Ainda assim, o mesmo estudo aponta que as gerações mais novas começaram a mostrar um comportamento mais consciente em relação ao bem-estar, incluindo cuidados com a saúde mental.

De acordo com Cary Cooper, psicólogo da Universidade de Manchester e um dos principais especialistas mundiais em bem-estar no trabalho, embora as gerações mais antigas possam ser mais tolerantes com a entrega incondicional ao trabalho, essa postura não necessariamente é saudável. Ele afirma que os jovens, atualmente, parecem mais dispostos a reconhecer que o funcionamento mental e emocional também precisa de atenção. Ainda de acordo com o pesquisador, o envio constante de sinais de que não se deve faltar por doença, muitas vezes reforçado por culturas organizacionais que priorizam a produtividade, cria um ambiente no qual o medo de parecer fraco prevalece.

Esses comportamentos, segundo profissionais de saúde, dificultam a adesão a regras de afastamento por doenças físicas e, especialmente, por questões de saúde mental. Dificuldades para relaxar ou dormir também aparecem como sinais indicadores de que a pessoa realmente necessita de repouso. Mesmo assim, muitas pessoas ainda evitam tirar licença por medo de sofrer consequências negativas na carreira ou de serem julgadas por colegas e superiores.

Apesar de essa realidade ainda prevalecer, a tendência aponta para uma mudança de paradigma entre os trabalhadores mais jovens, que demonstram maior abertura para cuidar da própria saúde mental e física. Especialistas defendem que organizações precisam criar políticas claras para o afastamento por motivos de saúde e promover uma cultura que não estigmatize quem precisa se ausentar por motivos de bem-estar, reforçando que isso é essencial para o equilíbrio emocional e a saúde geral dos colaboradores.

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O que sabemos?

  • Entre um terço e metade dos trabalhadores no Reino Unido trabalham doentes (presenteísmo).
  • Gerações mais novas têm demonstrado maior preocupação com saúde mental e bem-estar.
  • A cultura organizacional que prioriza produtividade pode gerar culpa e vergonha ao faltar por doença.
  • A ligação entre trabalho e identidade, chamada de centralidade do trabalho, influencia a disposição de se afastar.
  • Profissionais de saúde e psicólogos alertam para a necessidade de políticas claras de afastamento por saúde.

Fontes

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